Reeleito governador de São Paulo no primeiro turno, Tarcísio de Freitas (Republicanos) começa a desenhar a composição do secretariado para o segundo mandato com uma nova correlação de forças entre os partidos da coalizão. Segundo aliados do governador, o PSD, de Gilberto Kassab, deve perder espaço na próxima gestão, embora a legenda ainda deva permanecer no primeiro escalão.
A avaliação entre interlocutores de Tarcísio é de que a força política de Kassab não se confirmou durante o processo eleitoral. Um aliado próximo do governador afirma que prefeitos ligados ao presidente nacional do PSD demonstraram maior alinhamento com Tarcísio do que com a estrutura partidária.
Kassab liderou a candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência da República, mas o movimento não se refletiu em uma maior influência do partido dentro da coalizão que sustenta o governo paulista. A tendência, segundo aliados, é de redução do espaço do PSD na próxima gestão.
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Publicado em 2026-10-07 19:55:57Um dos nomes que devem ganhar espaço na nova composição é o de Ricardo Salles. Segundo interlocutores, o ex-ministro deve receber um cargo de alto escalão no próximo governo Tarcísio.
A possível ida de Salles para o governo, porém, não fez parte da negociação que levou o deputado a desistir da candidatura ao Senado, segundo aliados de ambos. Na ocasião, Salles abriu mão da disputa e passou a apoiar Guilherme Derrite e André do Prado, que acabaram eleitos para o Senado por São Paulo.
O entendimento naquele momento era de que a retirada da candidatura ajudaria a composição política do grupo de Tarcísio. A discussão sobre um eventual cargo para Salles surge depois do resultado eleitoral e da avaliação de que a estratégia adotada durante a campanha funcionou.
União Brasil terá nova interlocução
Outro partido que deverá passar por uma reorganização na relação com o governo paulista é o União Brasil.
Segundo aliados de Tarcísio, a presença do partido junto ao governador deverá ser orientada pelo presidente nacional da legenda, Antônio Rueda. A intenção é que a interlocução política com o Palácio dos Bandeirantes passe por outros atores do União Brasil, reduzindo o peso de indicações ligadas ao grupo da família Leite.
A mudança ocorre após a prisão de Milton Leite, principal cacique do União Brasil em São Paulo. Leite foi preso em agosto, no âmbito de uma investigação sobre corrupção e lavagem de dinheiro, e perdeu espaço nas articulações políticas do partido no estado.
A expectativa, segundo interlocutores, é que o novo desenho do União Brasil no governo seja construído sem que as indicações da legenda tenham como principal origem o grupo político de Leite.
A Secretaria da Saúde também deve passar por mudança no segundo mandato. Segundo interlocutores do governo, Eleuses Paiva não deverá permanecer no comando da pasta.
A saída de Eleuses também representaria uma redução adicional do espaço do PSD na estrutura do governo paulista.
A montagem do novo secretariado ainda pode provocar uma dança das cadeiras no Palácio dos Bandeirantes. Há expectativa de que quadros que migraram do governo federal para São Paulo após a derrota de Jair Bolsonaro em 2022 possam retornar à esfera federal caso Flávio Bolsonaro vença a eleição presidencial, abrindo vagas para novas escolhas de Tarcísio.
Outro nome que circula nas conversas para ocupar espaço na próxima gestão é o do ex-governador Rodrigo Garcia, hoje no Republicanos. A possibilidade, porém, enfrenta resistências dentro do grupo político de Tarcísio.
O MDB também deverá ser contemplado na nova composição. O partido ganhou peso na estrutura política do governador depois que Felício Ramuth deixou o PSD para permanecer como vice de Tarcísio na chapa à reeleição.
A expectativa é de que as mudanças sejam definidas nas próximas semanas, a partir da nova correlação de forças estabelecida depois da eleição.
Procurada, a assessoria do Palácio dos Bandeirantes não comentou.