Mônica Gentil, brasileira residente em Caracas, na Venezuela, descreveu em entrevista à CNN Brasil os momentos vividos durante os terremotos que atingiram o país. “Foram os piores 40 segundos da minha vida”, relatou, ao narrar como dois tremores sucessivos sacudiram sua casa em menos de um minuto.
Mônica mora no município de Baruta, localizado a aproximadamente 40 minutos de La Guaira, região mais gravemente afetada pelos abalos sísmicos. Segundo ela, Caracas está situada em um vale a 900 metros do mar, e sua área específica foi atingida de forma relativamente mais branda.
No entanto, o município vizinho de Chacao, mais próximo das placas tectônicas, registrou o colapso de quatro edifícios.
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O primeiro abalo surpreendeu Mônica e o marido na quarta-feira (24), feriado, enquanto se preparavam para assistir a um jogo do Brasil. “De repente foi o caos total, prateleiras caindo, as coisas quebrando”, descreveu.
Quando o casal acreditou que o tremor estava diminuindo, um segundo abalo se seguiu imediatamente. “A gente se abraçou e quando sentiu que estava melhorando, veio o outro”, narrou. Os dois precisaram recolher os cachorros, descer as escadas e ajudar vizinhos a evacuar o prédio, permanecendo na rua por cerca de duas horas.
Com acesso à internet durante todo o período, Mônica acompanhou em tempo real as notícias sobre os danos causados pelos terremotos. Foi assim que chegaram as primeiras informações sobre os edifícios desabados em Chacao.
Ela lembrou ainda que, em 1967, a mesma região já havia sido afetada por um terremoto de proporções semelhantes. “Eu espero que, como dizem, que esses grandes terremotos aqui acontecem a cada 60 anos, eu espero que não aconteça mais”, afirmou.
Solidariedade e organização popular
Diante da tragédia, Mônica destacou a mobilização espontânea da população venezuelana. Grupos de jovens desenvolveram um aplicativo para ajudar na localização de desaparecidos, e listas de vítimas eram atualizadas continuamente nas redes sociais.
Na porta dos hospitais, voluntários utilizavam a ferramenta para orientar famílias em busca de informações sobre parentes. “O venezuelano tem sido muito, muito, muito unido”, ressaltou.
No dia seguinte aos terremotos, Mônica decidiu agir diretamente. Ela e outras pessoas passaram a cozinhar e distribuir refeições para médicos nos hospitais. A brasileira também mencionou a chegada de apoio internacional ao país.
Questionada sobre o futuro, Mônica, que vive há 33 anos na Venezuela, onde tem família e empresa, demonstrou incerteza. “É muito difícil te dizer o que eu espero daqui para frente. É um dia de cada vez”, concluiu.