O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se pronunciou após uma foto com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, ser divulgada nesta quarta-feira (15).
O registro foi divulgado pelo ICL Notícias e mostra político ao lado do cúmplice do dono de Daniel Vorcaro em um hotel na zona sul do Rio de Janeiro em 2022.
No vídeo postado nas redes sociais, Flávio questiona a veracidade da foto, atribuindo a publicação a “blogs de esquerda”, e afirmou que, se for real, não passa de “mais uma das várias que tiro todos os dias”. O senador rebate que não seria possível conhecer todas as pessoas que pedem um registro, uma vez que “todo mundo pede pra tirar foto”.
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Publicado em 2026-07-15 18:38:25“Eu não sei se é verdade, né? Se for verdade, certamente é mais uma das várias que eu tiro todos os dias, porque, graças a Deus, por onde eu ando, todo mundo pede para tirar foto, tem um carinho enorme pela gente, manda mensagem de confiança, que a gente precisa resgatar o Brasil. Então, graças a Deus, eu sou muito bem recebido por onde eu passo, tiro foto com todo mundo que me pede. Eu não tenho como saber quem é aquela pessoa que tá tirando foto com comigo, né?”, declarou.
O pré-candidato também aproveitou o vídeo para atacar seu rival político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), comparando o episódio ao mandatário, que fez uma foto ao lado da influenciadora Deolane Bezerra na campanha de 2022. Deolane está presa atualmente, acusada de atuação junto ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
Por meio de nota, a assessoria reafirmou o discurso do senador no vídeo de que Flávio é uma “figura pública e extremamente popular” e que recebe todos os dias “pedidos de dezenas de pessoas pelas ruas para fotos”.
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, como figura pública e extremamente popular, recebe todos os dias pedidos de dezenas de pessoas pelas ruas para fotos. Impossível o senador saber quem é cada uma das pessoas que dele se aproxima. É irresponsável tentar atribuir qualquer significado pessoal a uma imagem aleatória, declara o posicionamento oficial.
O portal ICL informou que, em parceria com o CLIP (Centro Latino-americano de Investigación Periodística), realizou a verificação da imagem por cinco diferentes ferramentas de detecção para checar se havia indícios ou marcas d’água de que seria gerada por inteligência artificial (Gemini, Hive Moderation, Sight Engine, Was It AI e Image Whisperer).
A reportagem afirmou não encontrar nenhum indício de que a fotografia tivesse sido criada com alguma IA generativa. Além disso, foi informado o uso da ferramenta de verificação InVID, em que não foi possível encontrar indícios de que a imagem tenha sido manipulada, ou de que seja uma montagem.
Segundo o portal, também foram analisadas as sombras das mãos e os reflexos nos óculos escuros de ambos, mostrando que estariam sendo iluminados pelas mesmas fontes de luz.
Confira a foto
Conversas com Daniel Vorcaro
A foto entre Flávio e Sicário acontece dois meses após conversas entre o senador e banqueiro Daniel Vorcaro serem vazadas. Na troca de mensagens, o senador pede cerca de R$ 134 milhões para o financiamento do filme “Dark Horse”, que narra a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O senador confirmou ter pedido dinheiro para o ex-dono do Banco Master: “era um filho procurando patrocínio”, disse.
Em entrevista à CNN Brasil à época, Flávio afirmou que o dinheiro que pediu ao ex-dono do Banco Master foi “100% investido no filme”.
Flávio declarou também que Vorcaro fez um investimento que previa retorno financeiro conforme o desempenho comercial da obra. Segundo o senador, a partir do momento que os pagamentos deixaram de ser honrados, as relações entre ele e Vorcaro terminaram.
Quem era “Sicário”?
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão morreu em 6 de março após atentar contra a própria vida enquanto estava sob custódia da Polícia Federal no dia 4 março. O cúmplice de Daniel Vorcaro ainda ficou internado no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, mas não resistiu.
Nas investigações da Polícia Federal, foi constatada a existência de um grupo chamado de “A Turma”, do qual Vorcaro e Luiz Mourão faziam parte.
Segundo a PF, “Sicário” era responsável pela “coordenação de atividades voltadas à obtenção de informações, monitoramento de pessoas e levantamento de dados considerados relevantes para os interesses do grupo“.
A corporação aponta que o homem realizava consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases de dados utilizadas por instituições de segurança pública e investigação policial.
Conforme a autoridade policial, o investigado teria obtido acesso indevido aos sistemas da própria Polícia Federal, do MPF (Ministério Público Federal), e até mesmo de organismos internacionais, tais como FBI e Interpol.
Luiz Mourão também teria atuado em ações voltadas para remoção de conteúdos e perfis em plataformas, com o objetivo de obter dados de usuários ou tirar de circulação possíveis críticas ao grupo. Ele ainda teria papel de coordenação e mobilização das equipes responsáveis pelas ações da organização.
A PF diz ainda que Luiz Mourão também atuava para intimidar antigos funcionários do Master e levantar dados sobre essas pessoas.
Em uma das situações, “Sicário” estaria envolvido em uma conversa com Vorcaro na qual o banqueiro pedia para organizar um assalto e “dar um pau” no jornalista Lauro Jardim, de O Globo.