Flávio diz esperar que governo Trump atenda pedido contra tarifaço
Senador e pré-candidato à Presidência enviou carta à gestão dos EUA para que empresas brasileiras não sejam taxadas
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse nesta quarta-feira (3) que espera que o governo dos Estados Unidos atenda o seu pedido para que não ocorra uma taxação a produtos brasileiros.
O pré-candidato à Presidência voltou a dizer que enviou uma carta ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, para evitar a medida.
"Essa taxa, essa tarifa, é do Lula. É por causa do seu comportamento de agressão aos Estados Unidos que as empresas brasileiras podem acabar sendo penalizadas. E, mais uma vez, eu enviei uma carta para o governo americano pedindo que não houvesse mais essa tarifação. Vamos aguardar que ele atenda ao meu anseio", disse durante agenda em Minas Gerais.
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Publicado em 2026-06-03 18:12:41A fala do senador faz referência ao documento divulgado pelo Escritório Comercial dos Estados Unidos na noite de segunda (1º). No relatório, o órgão propõe a imposição de tarifas de 25% sobre as importações do Brasil, com exceção das que se enquadram como sujeitas às tarifas de “segurança nacional”.
Na carta, ele pede para que os EUA não taxe as empresas brasileiras porque, a partir de janeiro de 2027. Nesta quarta, ele disse “o Brasil terá um presidente da República que vai sentar na mesa e negociar de igual para igual com o presidente dos Estados Unidos”.
No documento enviado a Marco Rubio, secretário de Estado do país, ele afirma que o Brasil vive uma "grave deterioração fiscal e econômica" e que as tarifas causariam “sérios danos” à população brasileira.
Principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Palácio do Planalto, Flávio voltou a culpar o petista pelas possíveis tarifas. Ele disse ainda que existem motivo para “punir” o atual chefe do Executivo e que o governo norte-americano “pode estar com raiva” de Lula.
O relatório divulgado pelo representante do Comércio nos EUA intensificou o embate entre Lula e Flávio nos últimos dias.
Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio se defendeu e disse que pediu “expressamente” para que Trump não anunciasse novas contras contra o Brasil. Ele e o presidente republicano se encontraram na última semana na Casa Branca, em Washington.
Já o governo Lula adotou a estratégia oposta: atribuir a culpa a Flávio. O presidente tem batido na tecla de que o relatório foi divulgado justamente dias depois de Flávio se reunir com Trump.
Em evento na terça-feira (2), o petista citou o chamado “tarifaço”, quando, no primeiro semestre de 2025, o governo Trump anunciou tarifas adicionais contra as importações brasileiras. No discurso, ele leu publicações de Flávio celebrando as tarifas à época.
“No dia que ele [Trump] taxou, eu vou dizer o que fez os meninos do Bolsonaro fizeram: os meninos do Bolsonaro, um deles, que é candidato a presidente, disse no dia 9 de julho, prestem atenção, no dia 9 de julho de 2025, no dia que o Trump taxou o Brasil em 50%, olha o que ele tuitou: 'Obrigado, Trump. Faça o Brasil livre de novo. Queremos o Magnitsky'", declarou.
Lula rebateu a fala de Flávio em que o senador disse ter pedido para que novas tarifas não fossem anunciadas: “Ele hoje dizendo que não falou nada. Ele falou. Ele foi pedir arrego. 'Trump, porra, Trump, dá uma porrada no Lula, taxa o Lula porque o Lula vai ganhar as eleições, não deixa, prejudica o Lula'. Imbecil". Nesta quarta (3), o presidente disse que também enviará uma carta a Trump.