De acordo com apuração de Pedro Venceslau, no CNN 360°, uma fonte próxima e integrada à pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) descreveu o principal desafio do momento: fazer gestos à base bolsonarista mais ideológica sem afastar o eleitorado independente e moderado, que é o grande foco estratégico da pré-campanha.
“Nesse momento, depois dessa queda nas pesquisas, até para evitar um derretimento, é preciso fazer gestos, sinais para a base bolsonarista mais ideológica, mas sem assustar aquele eleitorado chamado independente, mais moderado”, afirmou a fonte.
Internamente, há divergências sobre essa estratégia. Uma ala, identificada como “ala Estados Unidos” e associada a Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro, defende uma campanha mais próxima do estilo de 2018 ou 2022.
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Publicado em 2026-06-18 19:03:59No entanto, prevalece atualmente o espírito mais pragmático, com foco em uma campanha profissional e voltada para a vitória eleitoral.
Dois episódios recentes ilustram essa tentativa de sinalizar à base ideológica. O primeiro foi a antecipação do plano de governo para a segurança pública, com a participação do senador Sergio Moro (PL-PR) — figura que, embora desagrade à ala mais radical do bolsonarismo, dialoga com a pauta da segurança pública.
O segundo foi a divulgação de um vídeo produzido com inteligência artificial nas redes oficiais de Flávio, que mostrava Flávio e Jair Bolsonaro (PL) em um helicóptero, armados com metralhadoras, atacando embarcações identificadas com o PCC e o Comando Vermelho.
O vídeo gerou controvérsia dentro da própria campanha. Uma ala o considerou mal feito, piegas e prejudicial à imagem moderada do candidato.
Fontes contrárias à publicação nas redes oficiais afirmaram que o conteúdo deveria ter sido divulgado por aliados ou influenciadores bolsonaristas, e não pelo perfil oficial de Flávio. Apesar das críticas internas, outra ala avaliou que o vídeo cumpriu seu papel de sinalização para o eleitorado mais radicalizado.
Momento de otimismo
A pré-campanha de Flávio vive um momento de otimismo após o surgimento de investigações que apontam supostas ligações entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, de acordo com apuração de Débora Bergamasco, no CNN 360°.
O ambiente na equipe é descrito como de festa, pois a revelação é vista como uma oportunidade de neutralizar as críticas do PT (Partido dos Trabalhadores) em relação ao próprio Flávio, que havia pedido recursos a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, produção sobre a vida de Jair Bolsonaro.
A narrativa construída pela pré-campanha busca diferenciar o caso de Flávio do envolvimento atribuído a Wagner. O argumento central é a ausência de contrapartida: segundo fontes ligadas à campanha, os investigadores não identificaram nenhuma ação política de Flávio ou de sua família em benefício de Vorcaro.
“Meu pai não era mais presidente da República, eu era senador, o Eduardo Bolsonaro era deputado. A gente não tem uma emenda master, a gente não se meteu em nada disso”, teria dito Flávio, segundo o relato apresentado.