Fiscal deve dificultar flexibilização de juros, diz economista
Economista-chefe do PicPay avalia que movimento tende a pressionar inflação de serviços, considerada uma das principais preocupações da autoridade monetária
O BC (Banco Central) anunciou nesta quarta-feira (17) um corte na taxa básica de juros de 0,25 ponto, para 14,25%, e reforçou em seu comunicado a preocupação com os impactos da política fiscal sobre a inflação e a condução da política monetária.
Para a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, o destaque dado ao impulso fiscal sinaliza que novos estímulos à economia podem dificultar a continuidade do ciclo de flexibilização dos juros.
Segundo a especialista, o BC buscou manter uma postura dependente dos dados econômicos, mas chamou atenção ao incluir no balanço de riscos um fator adicional relacionado ao aumento do consumo impulsionado por medidas fiscais.
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Publicado em 2026-06-18 00:00:16Na avaliação de Benedito, esse movimento tende a pressionar a inflação de serviços, considerada uma das principais preocupações da autoridade monetária.
“O prolongamento de uma flexibilização monetária fica mais difícil quando há estímulos contínuos ao consumo das famílias”, afirmou em entrevista ao CNN Money.
Benedito também destacou que o Banco Central buscou explicitar de forma mais clara os canais pelos quais a política fiscal influencia a inflação, reforçando a necessidade de coordenação entre as políticas fiscal e monetária para garantir a convergência dos preços à meta.
Segundo a economista, a combinação entre estímulos contínuos ao consumo e a deterioração das expectativas de inflação, que acumulam 14 semanas consecutivas de revisão para cima, representa um desafio importante para a condução da política monetária.
Na avaliação de Benedito, o Banco Central adotou um tom relativamente moderado ao abordar as expectativas inflacionárias no comunicado, quando parte do mercado esperava uma sinalização mais firme.
Para ela, a principal mensagem é que a atual condução da política fiscal tende a dificultar não necessariamente um corte pontual de juros, mas a continuidade e a extensão do ciclo de flexibilização monetária nos próximos meses.