Por Kênia Cristina, mentora de negócios, consultora empresarial, especialista em Gestão de Pessoas, analista comportamental e coautora do livro Líderes do Século XXI. Foto Divulgação KÊNIA CRISTINA Em muitas empresas, problemas de desempenho são atribuídos à falta de comprometimento, baixa produtividade ou dificuldades técnicas. No entanto, uma das causas mais silenciosas dos conflitos internos pode estar na ausência de conversas claras entre líderes e equipes. Segundo Kênia Cristina, mentora e consultora de negócios especializada em mentalidade, posicionamento, liderança e vendas, um dos maiores equívocos da liderança é acreditar que evitar conversas difíceis preserva os relacionamentos. "Na prática, acontece exatamente o contrário. O silêncio cria interpretações, fortalece comportamentos inadequados e aumenta a distância entre aquilo que o líder espera e o que a equipe realmente entrega." Na avaliação da especialista, toda empresa possui uma cultura de feedback, mesmo quando ela não é percebida. "Existem organizações onde as pessoas conversam com clareza, orientam, desenvolvem e ajustam comportamentos continuamente. Em outras, os problemas são ignorados até se tornarem conflitos maiores. O silêncio também comunica." Segundo Kênia, quando o feedback deixa de fazer parte da rotina da liderança, colaboradores podem repetir os mesmos erros durante meses sem perceber que suas atitudes estão comprometendo os resultados da equipe. "Se ninguém orienta, dificilmente a pessoa terá consciência do que precisa melhorar. O feedback não existe para apontar falhas, mas para ampliar a percepção e acelerar o desenvolvimento." Na avaliação da especialista, existe uma diferença importante entre criticar e desenvolver. Enquanto a crítica costuma concentrar atenção no erro, o feedback construtivo direciona o olhar para a evolução, oferecendo clareza sobre comportamentos, expectativas e possibilidades de crescimento. "O verdadeiro feedback não acontece para corrigir pessoas. Ele acontece para desenvolver potencial." Outro aspecto destacado por Kênia Cristina é que a forma como uma conversa é conduzida influencia diretamente a maneira como ela será recebida. Segundo a especialista, líderes que utilizam julgamentos, generalizações ou abordagens excessivamente emocionais tendem a provocar resistência. Por outro lado, conversas baseadas em fatos, respeito e objetividade favorecem a reflexão e aumentam a disposição para a mudança. "Feedback não deve ser uma conversa baseada em opiniões pessoais. Deve partir de comportamentos observáveis, exemplos concretos e orientações que ajudem a pessoa a evoluir." Na avaliação de Kênia Cristina, esse tipo de postura fortalece a segurança psicológica dentro das organizações, permitindo que colaboradores se sintam mais confiantes para aprender, admitir erros, fazer perguntas e contribuir com novas ideias. "Equipes de alta performance não são aquelas que nunca erram. São aquelas que conseguem conversar sobre os erros com maturidade, aprender com eles e seguir em frente." Foto Divulgação KÊNIA CRISTINA Segundo a especialista, outro erro frequente é transformar o feedback em um evento raro, normalmente associado apenas a avaliações de desempenho ou momentos de crise. "O desenvolvimento acontece na constância. Pequenas conversas realizadas ao longo da rotina costumam produzir resultados muito mais consistentes do que uma única avaliação feita meses depois." Para Kênia Cristina, feedback também representa uma demonstração de interesse pelo crescimento das pessoas. "Quando um líder dedica tempo para orientar, ensinar e acompanhar um colaborador, ele comunica que acredita no potencial daquela pessoa. Isso fortalece vínculos, aumenta o engajamento e contribui para a construção de equipes mais maduras." Na avaliação da especialista, empresas que desenvolvem uma cultura de conversas abertas conseguem reduzir conflitos, melhorar a comunicação interna, aumentar o alinhamento entre líderes e equipes e criar ambientes mais colaborativos. "Conversas difíceis deixam de ser um problema quando passam a fazer parte da cultura da empresa. O que desgasta as relações não é o feedback. É o acúmulo de situações que nunca foram conversadas." Outro ponto destacado por Kênia Cristina é que o feedback também representa uma oportunidade de desenvolvimento para quem lidera. "Dar feedback exige preparo, equilíbrio emocional, capacidade de escuta e responsabilidade. Um líder também amadurece cada vez que aprende a conduzir uma conversa difícil com respeito e clareza." Segundo a especialista, organizações que desejam fortalecer sua cultura precisam compreender que comunicação e desenvolvimento caminham juntos. "Uma empresa cresce quando suas pessoas crescem. E pessoas crescem quando recebem orientação, confiança e espaço para evoluir." Para especialista, o feedback deixa de ser apenas uma ferramenta de gestão e passa a representar um dos principais instrumentos de desenvolvimento humano dentro das organizações. "No fim, feedback não é uma conversa sobre o passado. É uma conversa que prepara pessoas para entregarem resultados melhores no futuro." Kênia Cristina é mentora de negócios, consultora empresarial, palestrante, especialista em Gestão de Pessoas e analista de perfil comportamental DISC. Com mais de 30 anos de atuação no ambiente corporativo e empresarial, desenvolve líderes, equipes e organizações por meio de estratégias voltadas à mentalidade, posicionamento, liderança e vendas. É coautora do livro Líderes do Século XXI, obra que reúne especialistas para discutir os desafios e as transformações da liderança contemporânea.
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