Federação União-PP deve migrar para Flávio Bolsonaro
Segundo apuração de Tainá Falcão, reuniões no União Brasil e no Progressistas estão previstas para formalizar apoio ao senador do PL
A federação partidária formada por União Brasil e PP, conhecida como União Progressista, deve se tornar o primeiro bloco do Centrão a declarar apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A informação foi apurada pela âncora Tainá Falcão para o Bastidores CNN desta segunda-feira (5).
Segundo Tainá, o movimento de aproximação entre a federação e Flávio começou bem antes do resultado do primeiro turno. O senador vinha buscando os dirigentes do PP e do União Brasil — Ciro Nogueira e Antônio Rueda, respectivamente — em busca de apoio para um eventual segundo turno.
"Naquele momento, a federação condicionava qualquer avanço nas negociações ao resultado da eleição de primeiro turno e à demonstração de viabilidade da candidatura de Flávio. O resultado de domingo acabou destravando essa conversa", afirmou Tainá.
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Publicado em 2026-10-05 18:16:31Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula (PT), e a direita saiu fortalecida também na disputa pelo Congresso Nacional. O PL terá a maior bancada tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal.
Com esse cenário, dirigentes da federação já admitem uma aproximação mais concreta com o candidato do PL. Está prevista para esta semana uma reunião da cúpula da federação em Brasília para definir a posição no segundo turno.
"No PP, a bancada federal, senadores e diretórios estaduais também foram convocados para uma reunião com Ciro Nogueira para discutir se vão com Flávio ou Lula", destacou a âncora. Contudo, Tainá lembrou que o PP está em ruptura com Lula.
O partido afirma ter fechado um acordo de neutralidade com o Palácio do Planalto, sob a condição de que Lula não fizesse campanha explícita no Piauí a Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD), candidatos que derrotaram Ciro Nogueira na disputa ao Senado no estado.
"No Piauí, Lula fez indiretas muito diretas, fazendo menções que foram interpretadas como recados para Ciro Nogueira", destacou Tainá.
União Brasil mira preservação de Davi Alcolumbre
Como parte das negociações, o União Brasil também vislumbra a possibilidade de tentar preservar Davi Alcolumbre no comando do Senado em 2027.
Trata-se de um cálculo considerado difícil, especialmente diante do fortalecimento do PL, que abre espaço para que o partido tente eleger um nome mais alinhado a Flávio Bolsonaro para o posto. Em entrevista à CNN nesta segunda, Valdemar Costa Neto afirmou que o PL não apoiará a reeleição de Alcolumbre.
Para Lula, o movimento representa um sinal de alerta. Durante o primeiro turno, a estratégia do Planalto foi impedir uma adesão formal do Centrão a Flávio Bolsonaro e garantir, ao menos, a neutralidade dessas siglas.
A estratégia funcionou no primeiro turno, mas agora o cenário começa a se inverter. "O recado que o Centrão dá, se fechar mesmo com Flávio Bolsonaro, é que aposta na vitória de Flávio nas urnas também no segundo turno", destacou a análise.
Republicanos permanecem como incógnita
Outro partido do centrão, o Republicanos, permanece como uma grande incógnita nesse cenário. Tarcísio de Freitas, reeleito para o governo de São Paulo pelo Republicanos, deve tentar trazer o partido para o campo de apoio a Flávio Bolsonaro.
No entanto, Hugo Motta, que preside a Câmara dos Deputados e se aproximou do PT e de Lula, chegou a declarar apoio à reeleição de Lula enquanto estava à frente do diretório do partido na Paraíba e representa uma força contrária dentro da legenda.
Marcos Pereira, presidente do Republicanos, também não mantém relação de proximidade com nenhum dos dois lados. Diante desse quadro, o PT trabalha com a possibilidade de que o Republicanos continue neutro, mas já enxerga como encaminhado um acordo entre União Brasil e PP com Flávio Bolsonaro.