"Fantasma" de ancestral extinto ainda vive em humanos hoje; entenda
Proteína encontrada em dentes de fósseis de homo erectus ainda existe nos humanos modernos, especialmente nos naturais das Filipinas e da Melanésia, onde há maior ancestralidade denisovana
Um estudo publicado nesta quarta-feira (13) na revista Nature revelou o primeiro sinal claro de DNA em fósseis de homo erectus através do esmalte de seis dentes do ancestral, que ainda é carregado pelos humanos ainda vivos.
Feito por uma equipe chinesa, o estudo utilizou-se de um método pouco destrutivo para identificação em um fóssil de um homo erectus de origem chinesa, datado em ao menos de 400 mil anos atrás.
Para comprovação, os pesquisadores também analisaram genes e proteínas de hominídeos mais recentes, incluindo os denisovanos, reconhecidos especialmente por esses vestígios moleculares.
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Publicado em 2026-05-14 18:09:06Analisando as proporções de proteína no esmalte dos seis dentes, a equipe de pesquisadores conseguiu identificar que se tratavam de dentes de cinco homens e uma mulher. Foi constatado também que eles compartilhavam variações específicas de umas proteínas que formam o esmalte dentário.
Essa variante foi identificada como AMBN-M273V, ela é encontrada não apenas em dentes de denisovanos, como também em humanos modernos, especialmente nos naturais das Filipinas e da Melanésia, onde há maior ancestralidade denisovana.
Os cientistas apontam que a explicação mais provável para esse fato é o encontro entre três populações ao longo do tempo: o homo erectus pode ter passado a variante para os denisovanos quando se encontraram na Ásia, há mais de 400 mil anos.
Os denisovanos, por sua vez, transmitiram aos humanos mais modernos em suas migrações da África para Ásia e, posteriormente, para a Oceania, ao que tudo indica, cerca de 50 mil anos atrás.
Apesar de muitos fósseis de homo erectus terem sido encontrados, seu DNA é de difícil alcance.
Isso porque, além de ser uma espécie de aproximadamente entre 2 milhões e 110 mil anos atrás, a extração de DNA é um processo destrutivo, fazendo com que muitos curadores fiquem hesitantes em permitir a coleta em fósseis tão raros.
Por isso, a equipe do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia da Academia da China de Ciências buscaram recuperar proteínas ao invés de DNA.
Proteínas são mais resistentes que códigos genéticos, eles duram mais tempo, principalmente quando se encontram presas na matriz mineral de um dente.
Estudos de proteínas tendem a perfurar ou cortar os dentes ou ossos para extrair uma quantidade mínima de pó. A fim de minimizar os danos, o estudo se utilizou do método de corrosão ácida.
Primeiro, o dente foi envolvido em uma película impermeável, deixando apenas uma pequena área exposta.
Ao aplicar ácido nessa área, foi possível remover proteínas para análise sem causar danos ao dente, deixando apenas uma leve descoloração.
*Sob supervisão