Expedição busca avião de Amelia Earhart em ilha no Pacífico
Grupo de arqueólogos viaja para investigar se objeto submerso em lagoa corresponde à aeronave desaparecida em 1937
Uma equipe de arqueólogos marinhos sediada nos Estados Unidos partiu rumo a uma pequena ilha no extremo oeste do Pacífico para examinar a mais recente pista intrigante sobre um dos grandes mistérios não resolvidos do século XX: o desaparecimento, em 1937, da famosa aviadora Amelia Earhart.
Com o apoio da Universidade Purdue — instituição há muito ligada a Earhart e ao seu legado —, o grupo pretende descobrir se um objeto submerso, detectado por imagens de satélite na lagoa da ilha há seis anos, é de fato a aeronave bimotora Lockheed Electra 10-E de Earhart.
Tal descoberta comprovaria de forma definitiva a hipótese de alguns estudiosos de que Earhart e seu navegador, Fred Noonan, fizeram um pouso forçado no atol cercado por recifes de coral (ou nas suas proximidades) e morreram ali, isolados, a centenas de quilômetros do local onde planejavam reabastecer.
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Publicado em 2026-10-10 10:32:41Após partir de Los Angeles no início deste mês, a previsão era de que o grupo chegasse na terça-feira, 13 de outubro, a Nikumaroro, uma ilha desabitada no remoto arquipélago de Phoenix, parte da nação insular da República de Kiribati.
"Encontrar o avião Electra de Amelia Earhart seria a descoberta de uma vida", afirmou Richard Pettigrew, diretor do Archaeological Legacy Institute em Eugene, Oregon, que lidera a iniciativa em parceria com Purdue, em material de divulgação da missão.
Steve Schultz, consultor jurídico geral de Purdue e membro da expedição — que esteve em Fiji na semana passada realizando trabalhos preliminares para a missão —, disse em entrevista: "Isso significaria solucionar um dos grandes mistérios da história da aviação; certamente, um dos grandes mistérios do século XX".
A missão também tem seus céticos. O principal deles é Ric Gillespie, um pesquisador rival que também investiga o caso Earhart; ele é cofundador da TIGHAR (International Group for Historic Aircraft Recovery) e autor do livro de 2024 "One More Good Flight: The Amelia Earhart Tragedy".
Árvore ou avião?
Gillespie liderou uma dúzia de expedições próprias ao atol ao longo de três décadas e é o principal defensor da teoria de que Earhart teria naufragado em Nikumaroro.
No entanto, ele previu que a equipe de Pettigrew e Purdue não encontraria destroços de avião nem qualquer outra coisa relevante na ilha.
A equipe de Purdue reconhece o papel de Gillespie ao estabelecer as bases da teoria que esperam comprovar.
Eles citam um conjunto convincente de evidências reunidas por ele ao longo dos anos, incluindo artefatos humanos recuperados na ilha — como um pote de vidro de creme para sardas da década de 1930 e restos de um canivete semelhante ao que Earhart levava no avião.
A investigação de Gillespie também abrangeu análises forenses modernas baseadas em registros de medições de restos esqueléticos encontrados na ilha na década de 1940; registros de azimutes de transmissões de rádio (provenientes de pedidos de socorro captados por operadores de rádio nos dias imediatamente posteriores ao desaparecimento de Earhart); e uma fotografia da costa da ilha, tirada meses depois, que mostra um objeto que, segundo Gillespie, parece ser o trem de pouso do Electra.
Em uma entrevista à agência de notícias Reuters na semana passada, Gillespie afirmou acreditar que o avião acabou se perdendo na história: teria sido arrastado pelas marés para fora do recife de coral onde pousara praticamente intacto, levado para o mar aberto, onde afundou e se despedaçou sob a ação das ondas.
Duas tentativas anteriores de localizar os destroços do avião no oceano ao redor — incluindo uma operação de 2019 liderada pelo arqueólogo marinho Robert Ballard, famoso por descobrir os destroços do Titanic — não tiveram sucesso, disse Gillespie.
Uma imagem de sonar em formato de avião, captada em outro ponto do fundo do mar, revelou-se ser apenas um amontoado de rochas.
"Eu adoraria encontrar aquele avião. Mas isso não vai acontecer", afirmou ele.
Pettigrew e sua equipe apostam no contrário. Para eles, o formato ramificado — observado pela primeira vez em uma imagem de satélite de 2020 — assemelha-se à fuselagem e às asas de uma aeronave.
Eles afirmam que o objeto, ou parte dele, foi posteriormente identificado em imagens aéreas mais antigas da lagoa da ilha, datadas de até 1938.
Gillespie disse ter certeza de que o objeto em questão era, na verdade, um "pandanus" caído — uma planta perene semelhante a uma palmeira, nativa da região da ilha — que foi levado pela água para dentro da lagoa.
"Dá para ver a base das raízes. Dá para ver os galhos", disse Gillespie na entrevista. "É uma árvore. As pessoas veem o que querem ver."
'O combustível está acabando'
A posição oficial do governo dos EUA há muito sustenta que o Electra ficou sem combustível e caiu no mar perto de seu destino de reabastecimento, a Ilha Howland — outro pequeno ponto de terra a cerca de 643 quilômetros a noroeste de Nikumaroro, então conhecida como Ilha Gardner.
Earhart foi vista pela última vez decolando em seu Electra em 2 de julho de 1937, partindo de Papua-Nova Guiné em direção a Gardner, a cerca de 4.000 km a leste, durante uma tentativa em várias etapas de se tornar a primeira mulher a pilotar um avião ao redor do mundo.
O contato definitivo por rádio com a aeronave foi perdido no dia seguinte, depois que Earhart, então com 39 anos, relatou que o "combustível estava acabando", seguido por sua última transmissão conhecida, na qual informava sua linha de posição geográfica.
O desaparecimento desencadeou a maior operação de busca já realizada pelo governo dos EUA por uma aeronave perdida, incluindo sobrevoos em Gardner, mas nenhum vestígio do Electra ou de sua tripulação foi encontrado na época.
A missão da Purdue, orçada em 900 mil dólares (aproximadamente 4,4 milhões de reais) e composta por 17 pessoas, planeja permanecer em Nikumaroro por cinco dias antes de iniciar a viagem de retorno de seis dias de barco até Tarawa, a capital de Kiribati, segundo Schultz.
A Purdue, sediada em West Lafayette, Indiana, pretende, em última análise, trazer de volta quaisquer fragmentos do Lockheed Electra que possam vir a ser recuperados.
Earhart atuou essencialmente como membro convidado do corpo docente da Purdue durante dois anos, trabalhando como conselheira de carreira para mulheres e consultora do departamento de aeronáutica da instituição.
Um subsídio de pesquisa da Purdue financiou o desenvolvimento do Electra, que ela chamava de seu "laboratório voador".
Schultz, advogado da Purdue, afirmou que, caso o avião fosse encontrado, nenhum artefato seria removido dele nesta expedição. Qualquer esforço para extrair os destroços da aeronave exigiria novas autorizações do governo de Kiribati, disse ele.