Analisando novamente dados envolvendo um tipo específico de explosão estelar, uma equipe de pesquisadores afirma ter confirmado a noção, há muito aceita, de que o universo está se expandindo em ritmo acelerado – a mesma observação que levou à identificação, na década de 1990, de uma força cósmica enigmática chamada energia escura.

Os resultados do estudo refutam uma pesquisa publicada no ano passado que concluiu que essa expansão cósmica não está mais acelerando – uma descoberta que havia desafiado a compreensão básica do universo.

“O universo ainda está acelerando”, disse o astrofísico Brodie Popovic, da Universidade de Southampton, na Inglaterra, um dos líderes do estudo publicado este mês no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society .

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“Ainda há muito que não sabemos e estamos ansiosos para aprender, mas achamos que estamos no caminho certo”, disse Popovic.

As conclusões do estudo, realizado por uma equipe que incluía dois laureados com o Prêmio Nobel, foram guiadas por observações em dois conjuntos de dados diferentes de um tipo de explosão estelar chamada supernova do tipo Ia, com o objetivo de calcular vastas distâncias cósmicas. Essas supernovas causam a destruição de um objeto chamado anã branca, o denso remanescente de uma estrela de massa baixa a intermediária no final de seu ciclo de vida.

Esse tipo de supernova tem se mostrado valioso na investigação da estrutura do universo, com base na evidência de que todas essas explosões têm aproximadamente a mesma luminosidade. Seu brilho observado varia de acordo com a distância da Terra — mais brilhantes quanto mais próximas e mais fracas quanto mais distantes —, tornando-as úteis como marcadores cósmicos.

Ao medir o brilho dessas supernovas visto da Terra, os cientistas conseguem avaliar a taxa de expansão do universo e a variação dessa taxa ao longo do tempo. Devido ao tempo que a luz leva para viajar pelo espaço, observar objetos distantes no cosmos é como olhar para o passado.

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O evento do Big Bang, ocorrido há aproximadamente 13,8 bilhões de anos, deu início ao universo, que desde então vem se expandindo. Em 1998, cientistas revelaram que essa expansão está se acelerando, tendo como possível causa uma força invisível chamada energia escura.

O universo é composto por matéria comum — estrelas, planetas, gás, poeira e tudo o que conhecemos na Terra — além de matéria escura e energia escura. A matéria comum representa cerca de 5% do universo. A matéria escura, conhecida por sua influência gravitacional sobre galáxias e estrelas, corresponde a aproximadamente 27%. A energia escura, por sua vez, representa cerca de 68%.

Os autores do estudo de 2025 , publicado na mesma revista que o novo estudo, concluíram que a energia escura está enfraquecendo e parou de acelerar a expansão do universo.

“As supernovas do tipo Ia são a principal ferramenta para medir a história da expansão do universo e forneceram a primeira evidência, em 1998, de que a expansão cósmica está se acelerando devido à energia escura”, disse o astrofísico Adam Riess, da Universidade Johns Hopkins, em Maryland, coautor do novo estudo e ganhador do Prêmio Nobel de Física em 2011 pela codescoberta da expansão acelerada do universo.

“Na última década, um grupo da Universidade Yonsei argumentou que as distâncias das supernovas deveriam ser calibradas de forma diferente, levando em conta a idade das estrelas que eventualmente explodem, e que esse ‘efeito da idade’ poderia alterar substancialmente as evidências de aceleração. Em nosso estudo, não encontramos nenhuma evidência do alegado ‘efeito da idade’ nas maiores amostras de supernovas calibradas usadas pela comunidade cosmológica na última década”, disse Riess.

O astrofísico Young-Wook Lee, da Universidade Yonsei, em Seul, foi um dos líderes do estudo de 2025. Lee defendeu as descobertas de sua equipe e afirmou que os principais argumentos apresentados pelos pesquisadores no novo estudo têm “sérias falhas metodológicas ou levam a conclusões internamente inconsistentes em sua própria lógica”.

Os pesquisadores do novo estudo expressaram confiança em sua metodologia e em suas conclusões, confirmando a aceleração.

A natureza física da energia escura permanece desconhecida. Plataformas como o recém-operacional Observatório Vera Rubin, no Chile, e o futuro Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, com lançamento previsto para agosto, podem fornecer algumas pistas.

“Esperamos que os novos dados que obtivermos de Vera Rubin e do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman nos ajudem a definir com mais precisão o que é realmente a energia escura”, disse Popovic.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/expansao-do-universo-ainda-esta-acelerando-dizem-pesquisadores/