Exclusivo: Petrobras estuda entrada em energia nuclear com reator modular

Estatal planeja instalar um pequeno reator nuclear de cerca de 300 MW em refinaria no Rio e avalia uso futuro da tecnologia em plataformas e FPSOs

Robson Rodrigues, , São Paulo

A Petrobras prepara sua entrada na geração de energia nuclear. A estatal planeja instalar um pequeno reator modular (SMR, na sigla em inglês) em uma refinaria, em um projeto voltado à descarbonização do consumo de eletricidade das operações, apurou a CNN.

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o equipamento deverá ter cerca de 300 megawatts (MW) de capacidade instalada. Em uma primeira etapa, a unidade seria implantada em uma refinaria localizada no Estado do Rio de Janeiro. Em um horizonte mais longo, a tecnologia também poderá ser utilizada para abastecer plataformas de petróleo e navios-plataforma (FPSOs), reduzindo o consumo de combustíveis fósseis nas operações offshore.

Fontes a par do assunto dizem que as tratativas já estariam em estágio avançado. A estatal mantém reuniões com a ANSN (Autoridade Nacional de Segurança Nuclear) para avaliar os desafios regulatórios e os requisitos necessários para viabilizar o empreendimento. Paralelamente, a companhia também negocia e prepara a assinatura de parceiras com grandes empresas da indústria nuclear.

Recomendamos para você

Os SMR (Small Modular Reactors) são reatores nucleares de menor porte, normalmente com capacidade de até 300 MW por unidade. Eles vêm sendo apontados como uma das principais apostas da nova geração da energia nuclear por exigirem menor investimento inicial, oferecerem construção modular e permitirem instalação próxima a grandes centros consumidores ou instalações industriais com elevada demanda por energia.

Caso o projeto avance, a Petrobras dará um passo inédito em sua estratégia de transição energética, ampliando sua atuação para além do petróleo, gás e renováveis.

A movimentação ocorre em paralelo ao interesse crescente da estatal em minerais críticos e estratégicos, considerados essenciais para tecnologias de baixo carbono. Recentemente, a empresa assinou um protocolo de intenções com o BNDES voltado à pesquisa, desenvolvimento e inovação nessa área, movimento que o mercado interpreta como o primeiro passo para a entrada da companhia nesse segmento.

Entre esses minerais está o urânio, matéria-prima utilizada na geração de energia nuclear. O urânio é classificado como um mineral crítico, por sua importância para a segurança energética, pela concentração da produção mundial em poucos países e pela expectativa de aumento da demanda com a expansão da geração nuclear e dos próprios reatores modulares.

A eventual adoção de SMRs também reforça a estratégia da Petrobras de reduzir as emissões de carbono de suas operações. Refinarias, plataformas e FPSOs demandam grandes volumes de energia elétrica, e a substituição de parte dessa geração por energia nuclear poderia reduzir significativamente as emissões associadas às atividades da companhia.

Procurada, a Petrobras não retornou até o fechamento da reportagem.

Já a ANSN disse em nota que está se preparando para o licenciamento desse tipo de equipamento, acompanhando os avanços tecnológicos através de capacitação e cooperação internacional permanente e buscando se antecipar aos novos desafios.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/infra/exclusivo-petrobras-estuda-entrada-em-energia-nuclear-com-reator-modular/