Ser sincero demais pode ser avaliado de duas formas: enquanto muitas pessoas acreditam ser uma qualidade, outras podem encarar o comportamento como falta de educação.
O famoso “sincericídio” é constantemente motivo de brigas em reality shows, como é possível acompanhar em edições de “A Fazenda”, da Record, ou até mesmo do BBB, da Globo.
Falar tudo o que pensa pode ser um ato de coragem, mas o excesso tem se tornado alvo de críticas. De acordo com o Gilberto Ramos, psicólogo da Starbem, à CNN Brasil, a questão da sinceridade não nos isenta da responsabilidade pelo que dizemos.
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Publicado em 2026-11-01 12:03:15“Hoje, principalmente nas redes sociais, parece que ter opinião sobre tudo virou sinônimo de autenticidade. Mas nem sempre precisamos dizer o que pensamos. Para mim, o limite está justamente em conseguir reconhecer que nossas palavras também têm consequências na vida do outro“, avalia o profissional.
Pensar antes de falar
Segundo Ramos, a psicologia clínica procura compreender o que existe por trás de determinados comportamentos. Há as pessoas que falam impulsivamente, outras que cresceram em ambientes onde a comunicação era mais dura, por isso essa forma de se comunicar acaba sendo naturalizada.
Em relação às pessoas que confundem sinceridade com superioridade, é válido fazer uma pergunta para si próprio: estou dizendo isso porque realmente vai contribuir com alguma coisa ou porque simplesmente quero expressar minha opinião?
“Às vezes, o que chamamos de sinceridade é apenas uma dificuldade de perceber o momento e o sentimento do outro”, avalia o psicólogo.
De acordo com o profissional, essa postura pode esconder uma dificuldade de lidar com as próprias emoções, de ouvir opiniões diferentes ou até de reconhecer quando passou dos limites.
“O que me chama a atenção é quando alguém utiliza a própria personalidade como justificativa para não mudar. Todos nós temos características que fazem parte de quem somos, mas isso não significa que não possamos amadurecer. Ser verdadeiro com o outro também exige disposição para reconhecer quando erramos“, declara Ramos.
Como impor limites?
É possível colocar limites às críticas de pessoas que se definem como muito sinceras. Nesse caso, o confronto não precisa ser algo obrigatório para que o outro entenda que está passando do ponto.
Gilberto Ramos sugere uma fala que pode demonstrar desconforto ao mesmo tempo que determina como a relação pode acontecer: “Eu entendo que você tenha essa opinião, mas não gostei da maneira como falou comigo”.
O que parece ser uma frase simples pode ser um exercício enorme para quem é gentil e tem medo de confrontos. Ser gentil não significa aceitar tudo para evitar que o outro fique chateado.
Um exercício que pode evitar conflitos e impedir que comportamentos desagradáveis aconteçam é começar a pensar que nem tudo precisar ser dito, principalmente quando ninguém fez uma pergunta ou quando aquilo não vai contribuir com nada.
Um exemplo é uma pessoa dizer que está feliz com uma roupa nova e alguém comentar que achou horrível, “porque é sincero”.
Vida em sociedade
Para Gilberto Ramos, a vida em sociedade exige cuidados. Evitar fazer comentários desnecessários não significa que alguém é falso, apenas ajuda a compreender que nossas opiniões não são mais importantes do que os sentimentos das outras pessoas.
“Às vezes, a maior demonstração de maturidade não está em ter coragem para falar, mas em ter sensibilidade para perceber quando é melhor não dizer nada”, conclui o psicólogo.