EUA restringem vistos de autoridades sul-africanas por "racismo reverso"
É a mais recente medida do governo do presidente Donald Trump contra o governo da África do Sul, acusado de discriminar sul-africanos brancos
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou uma nova política para restringir vistos de autoridades sul-africanas supostamente envolvidas em “discriminação baseada em raça” e “confisco de terras sem indenização”.
É a mais recente medida do governo do presidente Donald Trump contra o governo da África do Sul, acusado de discriminar sul-africanos brancos. As autoridades sul-africanas negam as acusações. Ao mesmo tempo, os EUA têm priorizado a entrada de sul-africanos brancos no país como refugiados.
“Os Estados Unidos continuam profundamente preocupados com crimes motivados por questões raciais e com a discriminação promovida pelo governo contra africâneres e outras populações minoritárias na África do Sul, incluindo leis discriminatórias baseadas em raça, ameaças de expropriação de terras sem indenização e incitação à violência racial por meio de cantos e slogans desumanizantes”, afirmou Rubio em comunicado.
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Publicado em 2026-09-15 15:28:13Semanas após o início de seu segundo mandato, Trump anunciou que quase todos os refugiados admitidos pelos Estados Unidos seriam sul-africanos brancos, alterando radicalmente um programa que, durante décadas, havia atendido principalmente pessoas que fugiam de guerras, perseguições ou outros perigos.
Até o fim de junho deste ano, os EUA haviam admitido mais de 7.700 africâneres, enquanto praticamente encerravam o programa de refugiados para o restante do mundo.
“O governo sul-africano não respondeu adequadamente às preocupações apresentadas anteriormente e, por isso, hoje anuncio uma nova política de restrição de vistos (...) voltada a cidadãos estrangeiros responsáveis ou cúmplices na aprovação ou implementação de leis ou políticas que permitam confisco de terras sem indenização, discriminação baseada em raça e/ou incitação à violência iminente contra membros de grupos étnicos ou raciais minoritários na África do Sul”, acrescentou Rubio no comunicado divulgado nesta terça-feira (15).
“Os Estados Unidos não permitirão que esse tipo de comportamento continue sem resposta. Essas ações prejudicam diretamente a paz, a estabilidade econômica e o Estado de Direito e são incompatíveis com os pilares da política externa americana”, afirmou Rubio, acrescentando que os EUA “voltam a pedir firmemente ao governo sul-africano que trate rapidamente dessas ações flagrantes”.
O governo Trump acusa agricultores brancos do país de sofrerem discriminação em razão das políticas de reforma agrária. O governo sul-africano afirma que as medidas são necessárias para enfrentar o legado do apartheid.
No ano passado, durante uma reunião com o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, no Salão Oval da Casa Branca, Trump exibiu um vídeo que, segundo ele, apresentava evidências para sustentar sua falsa alegação de que sul-africanos brancos sofrem perseguição e “genocídio”.
A CNN investigou as alegações de “genocídio” contra brancos na África do Sul e não encontrou evidências que as sustentem.
“O que vocês viram nos discursos que estavam sendo feitos não é política de governo. Temos uma democracia multipartidária na África do Sul que permite que as pessoas se expressem”, disse Ramaphosa após assistir ao vídeo. “Nossa política de governo é completamente, completamente contrária ao que ele estava dizendo.”