Estudo encontra fungo Sporothrix em animais atropelados no PR
Pesquisa detecta fungo da esporotricose em 11 de 81 vertebrados silvestres mortos em rodovias na região de Mata Atlântica
Um estudo realizado por pesquisadores brasileiros identificou a presença de fungos patogênicos do gênero Sporothrix, responsáveis pela esporotricose, doença frequentemente transmitida por arranhões e mordidas de gatos infectados, em animais silvestres da Mata Atlântica.
A descoberta amplia o conhecimento sobre a circulação do microrganismo na natureza e sugere que espécies selvagens também podem atuar como hospedeiras do fungo.
A iniciativa, que faz parte de um projeto de pesquisa sobre o potencial de animais silvestres como sentinelas de zoonoses, é liderada pelo Departamento de Medicina Veterinária Preventiva da Universidade Estadual de Londrina (UEL) desde 2016. Participaram ainda pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e do Centro Médico Universitário de Utrecht, nos Países Baixos. A Fapesp auxilia no financiamento do projeto.
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Publicado em 2026-06-21 15:59:13A pesquisa, que foi publicada na revista científica Mycopathologia, analisou amostras coletadas de 81 animais silvestres vertebrados atropelados em rodovias do Paraná entre 2017 e 2023. Foram examinados tecidos de mamíferos, aves e répteis encontrados ao longo das rodovias BR-376 e PR-445, em áreas de Mata Atlântica e regiões de transição entre ambientes rurais, urbanos e naturais.
Os cientistas detectaram DNA de três espécies patogênicas de Sporothrix: Sporothrix brasiliensis, considerada a principal responsável pelos surtos de esporotricose zoonótica no Brasil; Sporothrix schenckii; e Sporothrix globosa.
Entre os 81 animais analisados, 11 apresentaram resultado positivo para o fungo. As amostras foram encontradas em órgãos internos, como coração, fígado, pulmão e baço, indicando que os microrganismos estavam circulando no organismo dos animais.
Um dos casos envolveu o gato-do-mato-do-sul, espécie ameaçada de extinção. Os pesquisadores também identificaram a presença do fungo em aves, resultado que desafia a ideia de que a alta temperatura corporal desses animais funcionaria como barreira natural contra infecções fúngicas.
Segundo os autores, os resultados indicam que a circulação do Sporothrix pode ser mais ampla do que se imaginava. A descoberta reforça a importância da abordagem conhecida como Saúde Única, que integra saúde humana, animal e ambiental.
A cada segundo, aproximadamente 15 animais selvagens são mortos nas estradas brasileiras, totalizando cerca de 1,3 milhão de mortes diárias e mais de 475 milhões anualmente, o que ameaça a biodiversidade.
*Sob supervisão de Ana Beatriz Dias,