No final de março, um grupo de estudantes de medicina apresentou um projeto desenvolvido durante os três dias do Smart City Expo Curitiba 2026, o maior evento de cidades inteligentes das Américas. A ideia era criar um sistema capaz de prever surtos de infecções respiratórias graves antes que eles se tornassem crises. A proposta foi então apresentada à atual gestão de Curitiba, que autorizou estudos de viabilidade junto à Secretaria Municipal de Saúde. E esse foi o legado do 1º Smart City Health Hackathon, competição voltada à inovação em saúde, organizada pelo Grupo Academia Médica em parceria com a Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná (FEMPAR), entre os dias 25 e 27 de março. Três dias, cinco desafios, 70 estudantes Hackathon foi realizado pela FEMPAR em parceria com a Academia Médica. Divulgação/FEMPAR. Mais de 25 mil pessoas passaram pela Arena da Baixada ao longo dos três dias de evento. Entre prefeitos, especialistas e lideranças políticas, havia também 70 estudantes universitários, a maioria acadêmicos de medicina da FEMPAR, com participação de alunos de outras áreas, como engenharia, que chegaram para colocar a mão na massa. O hackathon aconteceu dentro da vertical Smart City Health, espaço do evento dedicado à discussão e apresentação de soluções voltadas à saúde. Os participantes foram divididos em equipes e orientados por 35 mentores, entre docentes da faculdade e especialistas do setor. Os cinco desafios propostos mapeavam problemas concretos do sistema de saúde nas cidades: esgotamento da força de trabalho na saúde; fragmentação do cuidado e dos dados do cidadão; eficiência de recursos com impacto social e ambiental; experiência e inclusão de pessoas neurodivergentes; e resiliência urbana frente a crises sanitárias e ambientais. "Os desafios permitiram que os estudantes aplicassem conhecimentos médicos e de outras áreas na resolução de problemas reais da saúde pública, desenvolvendo competências em inovação, tecnologia, análise de dados, trabalho em equipe e gestão de projetos", avalia a diretora da FEMPAR, Dra. Carmen Marcondes Ribas. A Previsar O projeto vencedor se chama Previsar. O sistema de vigilância preditiva foi desenhado para que a gestão pública não apenas reaja, mas se antecipe às crises respiratórias. Ele propõe cruzar dois tipos de indicadores: relatos voluntários de sintomas feitos por cidadãos por meio de um aplicativo, e dados de absenteísmo escolar, um sinal precoce historicamente associado à circulação de vírus respiratórios em comunidades. A combinação dessas fontes permitiria emitir alertas antecipados sobre surtos sazonais de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) para três públicos distintos: gestores de saúde, que poderiam acionar protocolos preventivos; escolas, que poderiam adotar medidas de proteção antes do pico; e cidadãos, que receberiam orientações via aplicativo. A lógica é inverter a equação da saúde pública: sair de uma posição no qual o sistema só se mobiliza quando os hospitais já estão sobrecarregados para uma postura de antecipação. "O fato de a solução vencedora ter sido apresentada ao prefeito de Curitiba e estar em estudo de viabilidade demonstra como iniciativas acadêmicas podem gerar impacto concreto na sociedade e ampliar as oportunidades profissionais dos participantes", afirma Carmen Marcondes Ribas. 70 estudantes universitários se reuniram para participar do hackathon. Divulgação/FEMPAR. Para ela, o legado é o ponto central do que o hackathon se propõe a construir. “A união entre FEMPAR, Academia Médica e Smart City Health fortalece o incentivo ao empreendedorismo, à inovação e à criação de soluções com potencial de gerar impacto positivo na saúde e na sociedade, além de consolidar a Hélice Quádrupla, conectando poder público, iniciativa privada, academia e terceiro setor em prol da inovação e da transformação da saúde.” O Smart City Health se apresenta como um ecossistema que propõe transformar as cidades em agentes ativos de bem-estar. “Essa experiência contribui para a formação de profissionais mais preparados para atuar de forma colaborativa, decisória, inovadora e centrada nas pessoas, além de aproximá-los das tecnologias aplicadas à saúde”, finaliza Carmen.
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