Esquema bilionário com ICMS: "fraude bem grosseira", aponta promotor
Trama de venda de créditos falsos de imposto gerou prejuízo de mais de R$ 3,8 bilhões aos cofres paulistas
A Operação Distrato, deflagrada na manhã desta quarta-feira (15), para desarticular um esquema estruturado de venda de créditos falsos de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), revelou uma fraude que gerou um prejuízo superior a R$3,8 bilhões aos cofres do Estado de São Paulo.
O esquema foi classificado como uma "fraude bem grosseira" pelo promotor Alexandre Castilho, representante do Ministério Público de São Paulo no Cira-SP (Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos), devido ao uso de falsificações escancaradas de documentos para vender créditos inexistentes a empresas de boa-fé.
A investigação, que já dura mais de um ano, cumpriu 38 mandados de busca e apreensão em cidades de São Paulo e do Paraná.
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Publicado em 2026-07-15 15:04:02Entre os principais alvos da operação está o grupo econômico ligado ao advogado Nelson Wilians, cujo escritório, localizado em São Paulo, foi alvo de buscas.
Em Londrina, no Paraná, a advogada Mayra de Paula, apontada pelo Ministério Público como "sócia" de Wilians nas supostas fraudes, também esteve na mira da força-tarefa.
"Até ontem faziam a mesma fraude"
Segundo as investigações, os escritórios de advocacia e consultorias ofereciam os créditos com deságio, vendendo-os como se fossem parte de um planejamento tributário legal.
Ao fechar o negócio, os intermediários lucravam milhões, chegando a cobrar honorários de êxito de até 70% sobre o valor dos impostos que as empresas deixavam de recolher ao Estado.
"Até ontem estavam fazendo a mesma fraude. O objetivo inicial era estancar isso", afirmou o promotor Alexandre Castilho, alertando que o sucesso inicial do golpe fez com que ele fosse copiado por outros escritórios.
Castilho também não descarta que prejuízos bilionários semelhantes ocorram no país inteiro, inclusive, com o não pagamento de impostos federais.
O modo de operação envolvia falsificações descritas como "grosseiras", termo também endossado pelo procurador do Estado, Alisson Julian Rhenns.
Ronaldo Mello Nogueira, auditor da Receita Estadual, explicou que o grupo falsificava despachos da Secretaria da Fazenda, exibia telas falsas de quitação de infrações, inventava garantias e apólices de seguro falsas e até contratava um figurante para atuar como auditor fiscal em reuniões virtuais com os clientes.
Em apenas uma das empresas vítimas, o valor da fraude chegou a R$ 80 milhões. Até o momento, a Secretaria da Fazenda identificou 752 empresas envolvidas no esquema, autuadas pelo uso dos créditos ilegais.
As provas apreendidas, que incluem documentos e equipamentos eletrônicos, serão compartilhadas com outros estados e com o MPF (Ministério Público Federal) para dar continuidade aos desdobramentos e buscar bloqueios patrimoniais dos investigados.
Outro lado
À CNN Brasil, o escritório de Nelson Wilians afirmou estar colaborando com as autoridades.
"O escritório recebeu o cumprimento da medida de busca e apreensão com serenidade, transparência e absoluto espírito colaborativo, mantendo-se à disposição das autoridades competentes e atuando de forma proativa para o completo esclarecimento dos fatos", diz a nota.
O espaço seguirá aberto para demais comentários de todos os envolvidos.