Investigado pela morte da estudante Isabelle Caracristi, de 22 anos, João Munhoz Neto, de 34 anos, foi preso preventivamente nesta terça-feira (22), no bairro Aldeota, em Fortaleza (CE). A polícia atribui ao homem uma postura considerada não colaborativa e apura uma eventual indução ao suicídio.
No último dia 13, a jovem foi encontrada morta no condomínio onde morava com o namorado na região central da capital. Os laudos periciais concluiram, posteriormente, que houve uma “precipitação voluntária”, indicando que Isabelle teria se lançado do rooftop do local.
Neto foi preso no âmbito da investigação poucos dias após a morte e teve o celular apreendido para análise. De acordo com a polícia, a prisão foi fundamentada em comportamentos considerados relevantes para as apurações do caso.
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Publicado em 2026-09-24 13:21:23A CNN Brasil reuniu os principais elementos apontados na investigação até agora que levaram à prisão do homem. Veja abaixo.
Postura não colaborativa
Uma série de comportamentos teria levado a coporação a solicitar a prisão de João no âmbito da investigação, sobretudo a “postura não colaborativa” apresentada por ele.
Segundo a polícia, João não procurou a família de Isabelle após a morte e teria orientado a portaria a impedir a entrada deles no prédio. Para além disso, o investigado teria retornado ao condomínio, no dia seguinte à morte, para procurar o celular da jovem nas áreas externas próximas ao local da queda.
Outro ponto investigado é o que aconteceu com o apartamento em que o casal morava depois da morte. De acordo com as autoridades, o imóvel foi limpo por uma pessoa contratada e posteriormente colocado à venda.
João ainda teria recolhido seus pertences em malas, desativado as redes sociais e, conforme a investigação, deixado de fornecer pontos de contato aos policiais.
Veja também: “Mãe, te amo”: jovem enviou mensagem antes de ser encontrada morta no CE
Relacionamento abusivo e violência psicológica
A investigação também reuniu relatos de testemunhas que apontam para um relacionamento marcado por controle, isolamento e possíveis episódios de violência psicológica.
Segundo a polícia, além dos episódios de proibições e abuso psicológico, João também controlava o uso de cartões bancários da estudante e fazia promessas de abertura de empresa em nome dela.
A investigação considera a possibilidade de enquadramento das condutas em crimes como violência psicológica contra a mulher e indução, instigação ou auxílio ao suicídio, previsto no artigo 122 do Código Penal.
“Esse cara é um louco”
Um áudio atribuído à estudante Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi enviado a familiares horas antes de sua morte. Na gravação, a jovem descreve o comportamento agressivo do namorado, João Munhoz Neto, de 34 anos, e afirma que: “Esse cara é um louco”.
Ouça:
A mensagem foi enviada ao primo da estudante e a outras pessoas da família no dia 13 de setembro, data em que ela morreu.
O conteúdo passou a ser considerado mais um elemento da investigação, que apura as circunstâncias da morte e a possível ocorrência de violência psicológica e indução ao suicídio.
Relembre a morte
Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta em Aldeota, Fortaleza, no último dia 13 de setembro. A perícia identificou lesões compatíveis com uma queda da janela do apartamento onde ela estava.
O caso ganhou repercussão na sexta-feira (18), quando a mãe da jovem, a professora Isorlanda Caracristi, publicou um vídeo pedindo justiça e explicações sobre a morte da filha. Segundo ela, o condomínio onde Isabelle morreu era o mesmo em que vivia com o namorado, apontado pela família como “controlador” e “obsessivo”.
Nesta quarta-feira (23), a Perícia Forense do Ceará apresentou a conclusão de 11 laudos produzidos sobre o caso. Os peritos afirmaram que Isabelle sofreu uma “precipitação voluntária”, termo técnico usado para dizer que a queda teria sido voluntária.
A perícia afirmou ainda que não encontrou sinais de luta corporal no apartamento, nem marcas de agressão física prévia, lesões de defesa ou sinais de esganadura no corpo da estudante.