O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou, na manhã desta segunda-feira (25), pela primeira sessão de radioterapia preventiva no Hospital Sírio-Libanês, em Brasília. O tratamento ocorre após a retirada de um câncer de pele no couro cabeludo, procedimento realizado em abril.
Segundo informações divulgadas pelo hospital, a radioterapia faz parte de uma etapa complementar do tratamento contra o carcinoma basocelular, tipo de câncer diagnosticado no presidente. Especialistas ouvidos pela CNN Brasil explicam que a medida tem caráter preventivo e busca reduzir o risco de retorno da doença na região operada.
Entenda o tratamento
“O tratamento citado é uma radioterapia complementar/preventiva, feita após a retirada cirúrgica da lesão. É um tratamento localizado e superficial, direcionado à região onde estava o tumor, no caso, o couro cabeludo”, explica Heloisa de Andrade Carvalho, radioterapeuta e Coordenadora do Serviço de Radioterapia do Instituto de Radiologia (INRAD).
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Publicado em 2026-05-25 15:22:31“A indicação parece ter caráter preventivo, para reduzir o risco de permanência ou retorno de células tumorais, especialmente quando há margem cirúrgica pequena ou alguma área considerada de maior risco”, acrescenta.
Os especialistas destacam que a radioterapia adjuvante costuma ser indicada em situações em que a cirurgia não consegue remover uma área maior sem comprometer estruturas importantes ou causar impactos estéticos relevantes.
“A radioterapia complementar pode ser indicada quando, após a cirurgia, existe alguma preocupação com margens cirúrgicas estreitas, chamadas de margens exíguas, ou quando a localização do tumor dificulta uma retirada mais ampla, como pode acontecer no couro cabeludo. Também pode ser considerada quando há maior risco local, profundidade próxima a estruturas como o osso, ou quando a retirada de uma área maior exigiria procedimentos como enxerto ou retalho”, acrescenta Heloisa.
O tratamento é feito de forma ambulatorial, sem necessidade de internação na maior parte dos casos, e com poucos efeitos colaterais. A principal reação costuma ser irritação na pele da área tratada.
Oren Smaletz, oncologista do Einstein Hospital Israelita, explica a frequência das sessões.
“Só falando um pouco mais da radioterapia: a radioterapia costuma ser sessões diárias, geralmente são poucos dias, pode ser talvez 14 a 15 dias. São doses pequenas diárias. Muitos pacientes não precisam ficar internados; às vezes ficam somente por comodidade, mas muitas vezes pode ser feito de maneira ambulatorial. Há poucos efeitos colaterais. A radioterapia no local acaba causando um pouquinho mais de irritação na região”, diz Smaletz.
Segundo Heloisa de Andrade Carvalho, a duração do tratamento pode variar conforme a avaliação médica e o resultado da cirurgia. “Os esquemas de radioterapia podem variar conforme o resultado da cirurgia e a avaliação médica. Nesse caso, o tratamento pode ocorrer por cerca de 15 a 20 dias, podendo chegar a 20, 25 ou até 30 sessões, dependendo do caso.”
Tipo de câncer em Lula
O presidente foi diagnosticado com um carcinoma basocelular, um dos tipos mais comuns de câncer de pele. Apesar da alta incidência, especialistas apontam que esse tipo de tumor costuma apresentar comportamento menos agressivo e altas taxas de cura.
“O presidente Lula foi diagnosticado com um câncer de pele do tipo carcinoma basocelular, localizado no couro cabeludo. Esse é um dos tipos mais comuns de câncer de pele e, em geral, apresenta comportamento mais favorável, com altas chances de cura quando diagnosticado e tratado adequadamente. O prognóstico pode variar conforme o tamanho da lesão, a localização, a profundidade e as margens obtidas na cirurgia”, explica a médica do INRAD.
Os médicos explicam que existem diferenças importantes entre os principais tipos de câncer de pele.
“Existem dois tipos basicamente: os tumores de pele melanoma e os tumores de pele não melanoma. Os tumores de pele não melanoma se separam em dois tipos: o basocelular, que parece que é esse que o presidente teve, e o espinocelular. Esses tumores não melanoma são muito comuns. Acredita-se até, segundo dados americanos, que uma a cada duas pessoas vai ter esse tumor se viver o suficiente, e provavelmente está relacionado à exposição ao sol e geralmente é em áreas expostas ao sol”, revela Smaletz.
Ainda segundo os especialistas, os tumores não melanoma raramente se espalham para outras partes do corpo.
“São tumores que dificilmente dão metástases, dificilmente vão para outros lugares, então são tumores menos preocupantes a princípio. Diferente dos tumores de pele melanoma, que são mais agressivos e podem dar metástases, inclusive levar à morte”, diz o especialista.
Apesar disso, existe a possibilidade de retorno do tumor no mesmo local, motivo pelo qual a radioterapia complementar é indicada em alguns casos.
“Os tumores não melanoma, como o basocelular e o escamoso, não costumam dar metástases e, com isso, não costumam levar o paciente à morte. Mas eles têm um risco de voltar no lugar. E essa chance de voltar ou de recidiva no local operado depende do tamanho da lesão, das margens e do quão profundo o tumor estava”, acrescenta Smaletz.
Segundo ele, “em certas circunstâncias, por exemplo, margens positivas, ou quando o tumor é muito profundo, ou quando não deu para ressecar totalmente porque o aspecto estético não permitia, você faz uma radioterapia que a gente chama adjuvante e que a imprensa acaba usando como uma radioterapia preventiva”.
O procedimento portanto, é para prevenir que o tumor volte no local, esterilizando aquela região após a cirurgia para que as células que eventualmente sobraram façam com que a chance de voltar aumente.
Após o fim das sessões, Lula deverá seguir em acompanhamento médico periódico, além de manter cuidados com a pele e proteção solar.
“Após a retirada cirúrgica da lesão, o tratamento indicado é a radioterapia complementar, com objetivo preventivo, direcionada à região onde o tumor estava localizado. Depois dessa etapa, a conduta costuma ser de acompanhamento médico periódico, além de cuidados locais com a pele e proteção solar da área tratada, já que pacientes que tiveram câncer de pele podem apresentar risco de desenvolver novas lesões ao longo do tempo”, conclui Heloisa de Andrade Carvalho.