O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos confirmou o quinto caso de bicheira-do-novo-mundo, em três bezerros, uma cabra e em um cão, no sul do Texas.

Apesar da palavra Novo não se trata de uma nova doença ou ameaça, e sim um problema do passado que voltou a atormentar e preocupar os pecuaristas norte-americanos.

O nome é um referência às Américas, a denominação dada pelos colonizadores europeus, e onde a mosca Cochliomyia hominivorax é endêmica e presente principalmente nas regiões tropicais.

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No Brasil a bicheira-do-mundo-novo é popularmente conhecida como “bicheira”, bastante comum nas fazendas brasileiras, como explica o médico veterinário Hyberville Neto: “a mosca está presente em todo o território nacional, o que significa que o produtor brasileiro convive diariamente com o risco” completa Neto.

Bicheira x Berne 

Apesar de serem causadas por ectoparasitas bicheira e berne apresentam características diferentes, começando pela mosca.

Hyberville explica que o berne é causado pelas larvas da mosca-varejeira dermatobia hominis. Elas penetram na pele e demoram alguns dias para se desenvolverem.

Já a bicheira é causada pela mosca Cochliomyia hominivorax que é atraída por cortes na pele, ferimentos. A mosca coloca os ovos em pequenos machucados ou feridas como, por exemplo, no umbigo dos bezerros recém-nascidos. As larvas eclodem e passam a se alimentar do tecido vivo do animal, causando inflamação, dor e mau cheiro que atrai outras moscas para a postura de ovos.

O processo é muito rápido como explica a médica veterinária, e colunista da CNN Agro, Lygia Pimentel  “as larvas nascem 24 horas após a postura dos ovos, se multiplicam muito rapidamente e isso dificulta o combate”.

O prejuízo é econômico, pois os animais perdem peso e precisam ser tratados quando acometidos.

“A bicheira pode infestar em qualquer mamífero, inclusive no homem, o que costuma acontecer em regiões insalubres e com difícil acesso a tratamentos”, reforça Lygia.

A doença estava erradicada no território norte-americano desde a década de 1960

O Departamento de Agricultura dos Estados Unido vai usar a mesma técnica adotada nos anos 1950 e 1960, a do “inseto estéril”. Moscas macho, esterilizadas em laboratório, são soltas na natureza. Ao se acasalarem com moscas fêmeas Cochliomyia hominivorax geram ovos inférteis.

A mosca atravessou a fronteira. No México os casos não param de crescer e já foram registrados mais de 28 mil casos.  A importação de gado em pé está suspensa há mais de um ano, justamente para tentar conter o avanço da doença.

 



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/entenda-o-que-e-a-bicheira-do-novo-mundo/