Vacina da dengue do Butantan mantém proteção por cinco anos e reduz casos graves A vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan contra a dengue, que teve o uso suspenso pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira (8), foi desenvolvida para prevenir a infecção pelos quatro sorotipos do vírus e oferece proteção por pelo menos cinco anos. ( detalhes abaixo) ??A decisão foi tomada após a identificação de "42 episódios de reações mais severas que estão temporalmente associadas ao momento de aplicação da vacina", afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Entre essas, houve efeitos inesperados, incluindo duas mortes. De acordo com o ministro, nos estudos anteriores realizados com o imunizante não haviam sido relatadas as reações observadas na aplicação das 500 mil doses no Brasil. No estudo publicado na revista "Nature Medicine", em março, por exemplo, os eventos adversos graves ocorreram em proporções semelhantes entre vacinados e participantes que receberam placebo, sem sinais de problemas de segurança relacionados ao imunizante. Apesar do anúncio da descontinuidade temporária da utilização da vacina, ainda não é possível estabelecer uma relação de causalidade entre a aplicação do imunizante e os óbitos. Os casos ainda serão investigados. Vacina da dengue do Butantan. Governo de São Paulo/Divulgação Como a vacina age no corpo? A vacina Butantan-DV é a primeira vacina 100% brasileira contra a dengue e funciona com dose única. Ela foi desenvolvida para prevenir os quatro sorotipos do vírus da dengue — DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. O imunizante age estimulando o organismo a produzir a sua própria proteção Eficácia comprovada O estudo que acompanhou mais de 16 mil participantes de 2 a 59 anos, a eficácia geral da vacina foi de 65% contra dengue sintomática confirmada por exame após cinco anos de seguimento. Já a proteção contra dengue grave ou com sinais de alarme foi ainda maior, chegando a 80,5%. Uma nova análise de longo prazo da vacina contra dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan indica que uma única dose do imunizante mantém proteção por pelo menos cinco anos e reduz significativamente o risco de formas graves da doença. Os resultados foram publicados na revista científica Nature Medicine e fazem parte do acompanhamento de um ensaio clínico de fase 3 realizado no Brasil. A pesquisa também mostrou que o imunizante foi eficaz tanto em pessoas que já tiveram dengue quanto naquelas que nunca haviam sido infectadas. que estão em alta no g1 Entre indivíduos com exposição prévia ao vírus, a eficácia foi de 77,1%, enquanto nos participantes sem infecção anterior foi de 58,9%. Para Kfouri, esses números reforçam o potencial da vacina como ferramenta importante para reduzir hospitalizações e mortes pela doença –ainda que ela não elimine completamente a circulação do vírus. Proteção maior contra casos graves O infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, explica que esse comportamento é esperado em vacinas contra doenças virais. Segundo ele, o principal objetivo de imunizantes não é necessariamente impedir todas as infecções, mas evitar as formas mais perigosas da doença. “A eficácia das vacinas costuma ser maior para os desfechos mais graves. Isso acontece com gripe, Covid-19 e outras infecções. O mais importante é reduzir hospitalizações e mortes”, afirma Kfouri. No estudo, nenhum caso de dengue grave foi registrado entre participantes vacinados durante o acompanhamento, enquanto episódios graves ocorreram no grupo que recebeu placebo. Desafio dos quatro sorotipos A dengue é causada por quatro sorotipos diferentes do vírus — DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. A vacina do Butantan foi desenvolvida para proteger contra todos eles. No entanto, durante o período em que o ensaio clínico ocorreu no Brasil, apenas dois tipos circularam amplamente: DENV-1 e DENV-2. Por isso, o estudo não conseguiu avaliar diretamente a proteção contra os outros dois sorotipos. Kfouri afirma que essa lacuna não significa necessariamente que a vacina não funcione contra eles. “Nos estudos de laboratório, vemos produção de anticorpos contra os quatro sorotipos. Mas, como no período do estudo não circularam dengue 3 e 4 no Brasil, não foi possível demonstrar essa proteção na prática”, explica. Segundo ele, pesquisas em andamento em outros países podem ajudar a esclarecer essa questão. Segurança é ponto central A avaliação de segurança foi um dos focos principais do estudo. A dengue apresenta um fenômeno conhecido como aumento dependente de anticorpos, no qual uma segunda infecção pelo vírus pode levar a quadros mais graves. Por isso, especialistas consideram essencial que vacinas contra a dengue não aumentem esse risco. “O acompanhamento de cinco anos é fundamental justamente para garantir que a vacina não funcione como uma infecção prévia que poderia agravar uma futura dengue”, afirma Kfouri. No estudo, os eventos adversos graves ocorreram em proporções semelhantes entre vacinados e participantes que receberam placebo, sem sinais de problemas de segurança relacionados ao imunizante. Vacina não substitui combate ao mosquito Mesmo com a chegada de novas vacinas, especialistas alertam que o controle do mosquito Aedes aegypti continua sendo essencial. Isso porque nenhum imunizante oferece proteção total contra a doença, e a circulação do vírus depende da presença do vetor. “Vacinação e combate ao mosquito precisam caminhar juntos. Quando reduzimos o número de pessoas suscetíveis e também diminuímos o número de mosquitos, a transmissão tende a cair”, diz Kfouri. Segundo ele, essa combinação pode gerar inclusive efeitos indiretos de proteção, beneficiando até pessoas que não foram vacinadas. Vacina contra dengue do Butantan será aplicada em dose única

Fonte: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/06/08/entenda-como-funciona-vacina-contra-dengue-suspensa-pelo-ms.ghtml

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