O Brasil criou 165,8 mil vagas de trabalho com carteira assinada em agosto, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O resultado superou as expectativas do mercado e foi superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior.

Em entrevista ao CNN Money, o economista Antonio Ricciardi avaliou que os dados mais recentes do mercado de trabalho devem ser analisados não apenas como uma fotografia do mês de agosto, mas como parte de um filme que vem se desenvolvendo ao longo do ano.

Segundo ele, o resultado reforça a tese de uma desaceleração gradual e ordenada da economia.

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Os dados da PNAD Contínua, também divulgados na mesma data, apontaram o segundo trimestre como um período de desaceleração mais acentuada do que o esperado, especialmente em relação aos rendimentos e à massa salarial.

“A gente teve um segundo trimestre mais fraco, principalmente com queda de rendimento e, portanto, da massa salarial”, afirmou Ricciardi.

No entanto, os dados de julho e agosto indicaram uma recuperação desses indicadores, sugerindo que a desaceleração mais intensa não teve continuidade no terceiro trimestre.

A taxa de desemprego permanece em 5,3%, praticamente estável desde o início do ano quando ajustada pelos efeitos sazonais. Ricciardi destacou, porém, que esse número deve ser interpretado com cautela.

Segundo ele, a taxa de participação — que mede o percentual de pessoas dispostas a trabalhar dentro da população em idade ativa — está menor do que no período pré-pandemia, o que contribui matematicamente para reduzir a taxa de desemprego sem necessariamente refletir um aquecimento equivalente da economia.

Caged acima do esperado, mas acumulado é o menor desde 2021

Embora o resultado de agosto tenha superado as projeções — a expectativa era de cerca de 90 mil vagas —, Ricciardi chamou atenção para o desempenho acumulado do ano.

“O acumulado de vagas de janeiro até agosto é o menor da série histórica desde 2021”, afirmou o economista, ressaltando que o saldo entre admissões e demissões revela uma fraqueza no mercado formal de trabalho ao longo de 2025.

Em análise setorial, Ricciardi informou que sete dos nove setores mapeados pelo Daycoval já apresentam fraqueza no mercado de trabalho, ante apenas um setor no início do ano.

“As empresas estão procurando menos trabalhadores do que estavam no começo do ano em função da atividade econômica arrefecendo”, explicou. Para ele, esse movimento é o “caminho natural da política monetária restritiva” e não representa uma problemática específica do emprego formal.

Demissões voluntárias próximas do recorde histórico

Um dado que chama atenção, segundo Ricciardi, é o elevado nível de demissões voluntárias — as chamadas quit rates. O indicador está próximo do recorde da série histórica, o que, na avaliação do economista, demonstra que os trabalhadores ainda enxergam oportunidades no mercado.

“As pessoas ainda veem oportunidades de outras vagas e se demitem para achar outras vagas”, disse. Esse comportamento indica que, apesar da desaceleração, o mercado de trabalho ainda apresenta sinais de aquecimento.

“A gente está desacelerando de um patamar muito alto de mercado de trabalho”, concluiu Ricciardi.

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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/emprego-mostra-efeito-da-politica-monetaria-diz-economista-do-daycoval/