O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, esteve em Buenos Aires, onde se reuniu com autoridades do governo de Javier Milei nesta terça-feira (26). Após o encontro, Múcio defendeu a reaproximação entre Brasil e Argentina e defendeu que a relação bilateral seja preservada das diferenças políticas e dos processos eleitorais.
“Nós precisamos exercitar melhor a nossa vizinhança, nossa amizade. No passado já fomos mais próximos, já fomos mais parceiros. Precisamos ficar imunes aos episódios eleitorais, políticos. Porque as forças da Argentina são para qualquer governo e são para sempre. Mudo comandante, ficam os comandados”, afirmou Múcio.
De acordo com a correspondente Luciana Taddeo, no CNN 360°, Múcio se reuniu com o ministro da Defesa da Argentina, Carlos Alberto Presti. Segundo ele, o principal objetivo da visita não era oferecer armas ou equipamentos ao governo argentino — contrariando o que havia sido comunicado inicialmente pelo Ministério da Defesa brasileiro.
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Publicado em 2026-05-26 19:46:36Múcio afirmou ter vindo motivado pela necessidade de maior união entre as Forças Armadas da América do Sul, destacando que o mundo inteiro está se armando e investindo em defesa, o que tornaria ainda mais urgente a cooperação entre os países da região para a proteção de seus territórios, soberania e riquezas naturais.
Ainda durante a visita, um catálogo da indústria de defesa nacional brasileira foi entregue ao governo argentino. Múcio, no entanto, frisou que esse gesto não representava o propósito central do encontro.
Ele também propôs a realização de um evento reunindo empresários brasileiros e argentinos do setor de defesa, iniciativa que, segundo ele, foi bem recebida pelo lado argentino.
Relação bilateral em baixa frequência
A visita de Múcio é considerada uma das poucas reuniões bilaterais de ministros entre os dois governos desde a chegada de Milei ao poder. Anteriormente, apenas Fernando Haddad e Mauro Vieira haviam realizado encontros bilaterais com seus pares argentinos durante esse período, em um contexto de clara redução no fluxo de visitas entre os dois países, que historicamente mantinham uma relação de grande proximidade.
Questionado sobre a aproximação do governo argentino com o governo de Donald Trump — incluindo compras de equipamentos militares norte-americanos, como blindados e caças F-16 —, Múcio afirmou que cada país tem o direito de buscar o que considera melhor para si, e que isso não representa um obstáculo para o diálogo.
Ele ressaltou ainda que é preciso que os países conversem para identificar pontos em comum e possibilidades de cooperação na indústria da defesa.
Imunidade às diferenças políticas
Em declaração após a reunião, Múcio foi enfático ao defender que a relação entre Brasil e Argentina deve transcender as divergências ideológicas entre os dois governos.
Múcio também destacou a importância da cooperação para o combate ao crime organizado. “O Brasil faz fronteira com 10 países da América do Sul. Precisamos ser parceiros, porque o crime organizado não tem pátria”, declarou.
Além disso, anunciou visitas previstas a outros países da região e mencionou a Conferência dos Ministros de Defesa das Américas, agendada para julho no Peru, como uma oportunidade para que os países exponham suas ideias e fortaleçam o diálogo coletivo.