Durante o fórum Anfavea Visions, nesta quarta-feira (10), o presidente da Volkswagen do Brasil, Ciro Possobom, traçou o diagnóstico sobre as forças que estão redesenhando a indústria automotiva nacional.
Para o executivo, o mercado vive uma revolução dupla que vai além da simples troca dos motores a combustão pelos elétricos. De acordo com o presidente, a engenharia de software e a digitalização das cabines também ganharam um grande peso estratégico junto à transição energética nas decisões das montadoras.
“A transição energética é o principal fator na mudança do mercado, semúlvida, mas não é só isso. Há uma transformação muito grande também na parte de conectividade, infotenimento, na relação do software com a pessoa e com o celular. É uma revolução à parte. Antigamente não se tinha isso, essa relação era mais distante. Hoje os carros têm uma tecnologia embarcada muito forte. Esseé o segundo grande eixo. A eletrificação e a conectividade são as duas grandes mudanças do setor.”
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O novo conceito de luxo e a fragmentação do consumidor
Essa injeção de tecnologia eletrônica transformou diretamente as exigências do mercado brasileiro. O representante da alemã apontou que o novo consumidor começa a balizar sua escolha por parâmetros que não faziam parte do ecossistema automotivo tradicional em décadas passadas, como a interatividade digital.
Para ilustrar o ritmo dessa mudança de comportamento, o executivo brinca ao referenciar outro momento da indústria. “Antigamente, luxo era ter ar-condicionado no carro. Hoje em dia todo carro tem, e o que se espera é cada vez mais interatividade com a parte eletrônica”, comparou Possobom.
Ele pondera que o perfil do público se fragmentou conforme as novas opções de deslocamento urbano e rodoviário amadureceram no país:
“Não diria que o comportamento do consumidor mudou, mas, diante dessas novas tecnologias, o consumidor está mais aberto e procura não somente um carro que tenha itens de segurança e dirigibilidade. Ele busca outros tipos de conteúdo que não existiam no passado. O perfil do consumidor muda junto com as mudanças de mobilidade. Hoje muita gente usa carro de aplicativo para se locomover, ou prefere o carro elétrico, pois não pega estrada e fica mais no ambiente urbano, para as pessoas que viajam mais, a preferência seria o híbrido. Acho que é esse o tipo de mudança que está acontecendo.”
“Não diria que o comportamento do consumidor mudou, mas, diante dessas novas tecnologias, o consumidor está mais aberto e procura não somente um carro que tenha itens de segurança e dirigibilidade. Ele busca outros tipos de conteúdo que não existiam no passado. O perfil do consumidor muda junto com as mudanças de mobilidade. Hoje muita gente usa carro de aplicativo para se locomover, ou prefere o carro elétrico, pois não pega estrada e fica mais no ambiente urbano. Para as pessoas que viajam mais, a preferência seria o híbrido. Acho que é esse o tipo de mudança que está acontecendo.”
‘Way To Zero’: A descarbonização além do escapamento
Outro tema central abordado pelo líder da VW BR foi o cronograma de neutralidade ambiental da companhia. O grupo opera globalmente sob a meta “Way To Zero”, que prevê a neutralidade total de emissões de carbono até o ano de 2050.
No entanto, Possobom chamou a atenção para um detalhe que muitas vezes é ignorado: a sustentabilidade não se restringe ao produto, mas começa no chão de fábrica.
“O Grupo VW tem a meta ‘Way To Zero’; em 2050, ele vai ser neutro em carbono. Todas as filiais do grupo a seguem, e nós, da VW, melhoramos nossa emissão de carbono todo ano, não só na parte dos carros, dos produtos, mas também na parte da produção dos veículos. Como deixar a cadeia de produção mais sustentável? Esse é o nosso trabalho, que envolve fornecedores, etc. Então falam muito de produto, mas não é só isso. Tem que olhar principalmente para a fábrica, para a produção. Boa parte do gás que utilizamos, por exemplo, vem do Biometano, que tem um menor nível de poluição.”
A busca por condições iguais de competição no mercado
O executivo encerrou suas considerações abordando um dos tópicos mais complexos da geopolítica automotiva recente no Brasil: a entrada massiva de novas marcas estrangeiras, sobretudo asiáticas. Possobom adotou uma postura de neutralidade comercial em relação à concorrência, afirmando que novas opções são saudáveis para o mercado, mas fez uma cobrança firme por regras fiscais e cambiais equivalentes para proteger a indústria que investe em manufatura local.