Eleições: Não haverá pacificação institucional no próximo governo, diz Arko

Estudo aponta risco alto para o Brasil, com ambiente político institucional como principal fator de instabilidade, independentemente de quem vencer as eleições. O CEO da Arko Advice, Murillo de Aragão, comenta o tema no WW

O ambiente político institucional é o principal fator de risco para o Brasil e esse risco está em crescimento. Essa é a principal conclusão de um estudo abrangente realizado pela Arko Advice, que analisou as volatilidades conjunturais do país. A nota global de risco atribuída ao Brasil é de 57 pontos, em uma escala de 0 a 100, com viés de alta. Ao WW, o cientista político e CEO da Arko Advice, Murillo de Aragão, comenta o estudo.

O estudo é estruturado em três pilares: o ambiente político institucional, a situação geopolítica e o ambiente econômico.

O ambiente político institucional recebeu a pontuação mais elevada entre os três, atingindo 68 pontos, também com viés de alta. A situação geopolítica foi classificada com 48 pontos, em risco médio, enquanto o ambiente econômico registrou 45 pontos, igualmente com viés de alta.

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Risco econômico ainda não chega à população

Segundo Murillo de Aragão, a questão econômica é séria, especialmente pelos aspectos fiscal e de juros, que prejudicam a atividade produtiva. No entanto, ele avalia que esse impacto ainda não se faz sentir de forma ampla pela população, pois a inflação permanece razoavelmente sob controle.

"A questão econômica é séria pelo aspecto fiscal e de juros, que atrapalham a atividade produtiva. Mas não chega ainda na população, porque a inflação está razoavelmente sob controle", afirmou.

Aragão destacou que a insegurança fiscal leva o empresariado a retrair seu instinto de investidor. "Como essa insegurança a respeito da questão fiscal, o empresário retrai o seu instinto de investidor. Ele prefere aguardar para ver o que vai acontecer", explicou.

Para ele, a economia está sendo afetada de forma gradual e silenciosa, como um processo lento de aquecimento que ainda não é percebido com clareza pela sociedade.

Crise institucional independe do resultado eleitoral

No campo político institucional, Aragão foi categórico ao afirmar que não haverá pacificação no próximo governo, independentemente de quem seja eleito.

"Não vejo uma pacificação institucional no próximo governo, porque o perfil dos candidatos não aponta alguém que tenha a vocação e a disposição para enfrentar um diálogo institucional que seja estabilizador", declarou.

O analista apontou que o quadro de crise institucional já começará a ser definido no primeiro turno, com a composição da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Segundo ele, há uma intenção clara de setores da política, que podem se tornar majoritários no Senado, de avançar com impeachment de ministros e aprovar emendas constitucionais limitando ou criando mandato para ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

"Acho que continuará a haver uma disputa de poder, um conflito institucional, uma mistura de competências, uma ausência de limites, mas, sobretudo, uma ausência de vocação para o diálogo", concluiu Aragão.

A única perspectiva de diálogo apontada por ele estaria condicionada a uma deterioração severa do quadro fiscal. "A esperança de um diálogo é se o quadro fiscal ficar tão ruim que pode obrigar os agentes políticos a sentar na mesa e buscar uma saída", afirmou.

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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/eleicoes-nao-havera-pacificacao-institucional-no-proximo-governo-diz-arko/