El Niño forte deve pressionar inflação até fevereiro, diz economista
IPCA sobe 0,82% em setembro; alimentos e bebidas puxam alta e fenômeno climático preocupa especialistas
A inflação brasileira registrou alta de 0,82% em setembro, conforme dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O resultado acendeu o alerta para os efeitos do El Niño sobre os preços, especialmente no grupo de alimentação e bebidas, que avançou 0,83% no período — uma reversão expressiva em relação ao recuo de 0,34% registrado em agosto.
Ao CNN Money, o economista Flávio Serrano destacou que o fenômeno climático é o principal destaque da leitura do índice. Segundo ele, o El Niño vem ganhando intensidade e deve se configurar como um episódio bastante forte, com desvio de temperatura em relação à média no Pacífico próximo a 3 graus ou mais.
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Publicado em 2026-10-10 17:54:48"Provavelmente vai ser o recorde histórico para a diferença de temperatura naquela região", afirmou.
Pressão nos alimentos deve persistir até fevereiro
A inflação de alimentos no domicílio, que chegou perto de 1% em setembro (0,96%), contrasta com os recuos registrados nos meses anteriores: deflação de 1,14% em julho e queda de 0,60% em agosto.
Produtos como tomate e batata registraram altas superiores a 20% e 30%, respectivamente, refletindo uma pressão intensa sobre os itens in natura.
Serrano alertou que essa dinâmica deve persistir. "Toda essa parte de alimentação no domicílio deve ficar pressionada pelo menos até fevereiro do ano que vem por conta desses efeitos climáticos", declarou.
Espaço para corte de juros, mas com cautela
Apesar do avanço da inflação, Flávio Serrano avalia que ainda há espaço para o Banco Central realizar um novo corte de 25 pontos-base na taxa básica de juros.
No entanto, ele ressaltou que a inflação de serviços continua pressionada — rodando entre 4,5% e 5% nas últimas leituras e em 5,3% nos últimos 12 meses — o que indica que não se trata apenas de um choque de oferta. "A gente também observa alguns elementos que mostram um pouco de pressão pelo lado da demanda", ponderou.
O economista destacou que o comportamento do câmbio — que recuou de cerca de R$ 5,20 para próximo de R$ 5 — e uma eventual melhora nas tensões geopolíticas internacionais poderiam favorecer a continuidade do ciclo de alívio monetário.
Ele também mencionou que a desaceleração da economia contribui para reduzir o risco de contaminação do choque de alimentos para outros preços.
Caso o cenário externo e fiscal se mostre favorável, Flávio Serrano não descartou a possibilidade de o Banco Central até acelerar o ritmo de cortes nas reuniões de março ou abril do ano seguinte.
"O juro no Brasil é muito alto", reforçou, acrescentando que um ajuste fiscal por parte do próximo governo seria fundamental para estender e eventualmente intensificar o ciclo de flexibilização monetária.