Diplomatas brasileiros veem uma tentativa de politização na reclamação de Flávio Bolsonaro (PL) sobre a Embaixada do Brasil em Washington D.C., capital dos Estados Unidos, nesta terça-feira (26).
O senador e pré-candidato à Presidência reclamou que a representação diplomática não emprestou um espaço no local para que ele fizesse uma coletiva de imprensa após a visita ao presidente americano Donald Trump, na Casa Branca.
Segundo a assessoria de Flávio, foram enviados dois e-mails e feitas “algumas ligações” ao Itamaraty. Um dos assessores afirmou que um dos e-mails foi enviado por volta das 18h desta segunda-feira (25).
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Publicado em 2026-05-26 22:30:06No entanto, para integrantes do Itamaraty, Flávio e equipe não seguiram o rito necessário na solicitação do espaço. Para os diplomatas, o pedido de apoio — que é prestado em caso de missões oficiais — foi feito muito em cima da hora e sem o processamento padrão necessário, sem passar pela assessoria parlamentar do Itamaraty em Brasília.
Para diplomatas, o pedido não pode ser um e-mail feito de véspera na linha do “vou passar na sua casa”. Além disso, avaliam que aliados de Flávio já demonstravam desde mais cedo uma tentativa do que consideram uma politização do caso.
Segundo fontes diplomáticas, visitas de parlamentares normalmente são oficializadas junto ao Congresso, em coordenação com a assessoria parlamentar em Brasília, que então faz a solicitação de apoio da embaixada.
Coletivas de parlamentares já aconteceram no passado, senadores têm passaporte diplomático e parlamentares frequentemente pedem apoio, diz um diplomata. Mas, quando veio o pedido da coletiva, como não houve uma comunicação do Congresso, a embaixada passou o dia correndo atrás, junto com Brasília, para entender melhor os elementos da viagem — e se ela tinha caráter oficial ou não. O caráter oficial não é algo que pode ser “autodeclaratório”, disse o interlocutor.
E como a coletiva envolve gastos públicos, já que a embaixada teria que contratar tradutor e equipamento de som, por exemplo, e existe uma rubrica parlamentar específica para isso, além da necessidade de documentos comprobatórios, o pedido deveria ter sido comunicado oficialmente, argumentam as fontes do governo.
Por isso, o Itamaraty enfim enviou um retorno dizendo que o pedido não poderia ser atendido a tempo porque não havia informações suficientes que comprovassem o caráter oficial da visita.
Diplomatas lembraram que um grupo de parlamentares, inclusive de oposição, receberam apoio da embaixada no ano passado ao irem aos Estados Unidos para tentar reverter o tarifaço. Na época, foi feita uma comunicação oficial do Senado ao Ministério das Relações Exteriores pedindo apoio para missão oficial, argumentam, com antecedência de alguns dias para os preparativos.
Em nota divulgada na noite desta terça, a equipe de Flávio acusa a embaixada de filtrar a utilização do espaço “de forma seletiva para atender conveniências ideológicas”.
“Na medida em que o senador Flávio Bolsonaro, um parlamentar eleito e uma das principais lideranças políticas do país, se reúne com o homem mais poderoso do mundo, causa estranheza que a embaixada não aceite um pedido simples para ceder espaço para atendimento à imprensa”, afirma trecho da nota.
“A pergunta que fica é: desde quando a diplomacia brasileira passou a agir como extensão partidária do PT? Em uma democracia de verdade, as instituições devem servir ao Brasil, e não a um grupo político”, acrescenta outro