A compactação do solo, considerada um dos principais desafios para a agricultura em regiões sujeitas a estiagens, pode comprometer a infiltração de água, limitar o desenvolvimento das raízes e reduzir a eficiência do sistema de plantio direto, amplamente adotado na produção de grãos no Brasil.
Estudos conduzidos pelo IFRS (Instituto Federal do Rio Grande do Sul) indicam que práticas de descompactação do solo associadas à aplicação de corretivos agrícolas podem melhorar as condições físicas e químicas das áreas cultivadas, o que favorece o desempenho da soja e aumento da capacidade de retenção de água no solo.
As pesquisas avaliaram diferentes estratégias de manejo em sistema plantio direto, incluindo o uso de descompactação mecânica combinada com calcário e gesso agrícola. O objetivo foi verificar como essas práticas influenciam a infiltração de água e o ambiente radicular das plantas, fatores considerados essenciais para a produtividade em períodos de déficit hídrico.
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Publicado em 2026-06-10 17:53:23Os resultados mostraram que a combinação entre descompactação mecânica e calagem apresentou os melhores indicadores de correção da acidez em camadas mais profundas do solo. Segundo os pesquisadores, o pH permaneceu mais elevado nas áreas que receberam o tratamento, indicando maior movimentação do calcário para além da superfície.
Enquanto a aplicação convencional de calcário concentrou seus efeitos nos primeiros 10 centímetros do solo, os manejos associados à descompactação apresentaram resultados observados até cerca de 15 centímetros de profundidade, ampliando a melhoria das condições para o crescimento radicular.
Além dos ganhos químicos, os estudos identificaram benefícios diretos para a produção de grãos. As áreas submetidas à descompactação registraram produtividade média da soja próxima de 200 quilos por hectare acima da média geral do experimento.
Também foram observados aumentos no peso de mil grãos nos tratamentos que receberam correção do solo.
De acordo com os pesquisadores, a melhoria da estrutura física do solo favorece a infiltração e o armazenamento de água, aumentando a capacidade das plantas de suportar períodos de estiagem. O resultado pode contribuir para maior estabilidade produtiva em um cenário de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.
Para o diretor da Agross do Brasil, Silmo de Ávila, a busca por soluções que ampliem a resiliência das lavouras tem se tornado estratégica para os produtores rurais. “Hoje, quando o produtor enfrenta estiagens mais frequentes e precisa produzir mais sem ampliar área, olhar para a saúde do solo passou a ser uma questão estratégica. O produtor precisa de soluções que tragam resultado prático e ajudem a construir lavouras mais resilientes no longo prazo”, afirmou.
Os pesquisadores destacam que a adoção de práticas voltadas à descompactação e à melhoria da fertilidade pode representar uma ferramenta importante para elevar a eficiência do uso da água e sustentar o potencial produtivo das lavouras de soja e outras culturas de grãos.