O futuro da política fiscal brasileira será um desafio inevitável para o próximo governo, independentemente do resultado das eleições. É o que avalia Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime, que destaca a piora das contas públicas como um problema estrutural que precisará ser enfrentado com urgência.

Segundo Kawauti, a deterioração das contas públicas pode ser observada com clareza na trajetória da relação dívida/PIB, que vem crescendo desde 2022.

“A gente vê uma piora das contas públicas que acaba gerando inclusive problemas para o consumidor final, para o brasileiro, que acaba pagando juros muito mais altos por conta disso”, afirmou a economista.

Recomendamos para você

Propostas vagas e falta de planejamento

Apesar da gravidade do cenário, Kawauti aponta que as candidaturas ainda não apresentaram propostas práticas e detalhadas para o enfrentamento do problema.

“O diagnóstico está feito, o fiscal no Brasil é muito ruim, mas o remédio para resolver esse problema não está muito claro”, disse. Para ela, o ideal seria que os candidatos apresentassem algum tipo de cronograma ou agenda com medidas concretas antes do segundo turno.

“O que a gente tem visto por enquanto são propostas mais vagas do que de fato de implicações práticas”, acrescentou.

A economista ressalta que o ajuste fiscal deverá envolver não apenas revisões nas regras de limite de gastos, como as do arcabouço fiscal, mas também reformas nas linhas de despesas.

“O Brasil gasta muito e gasta mal”, afirmou, citando possibilidades como desindexação e reforma administrativa como caminhos a serem discutidos.

O papel do ministro da Fazenda e do Banco Central

Para Kawauti, a capacidade de consolidação do ajuste fiscal dependerá fortemente do nome escolhido para conduzir a política econômica. “O nome do ministro da Fazenda vai dar para a gente algum tipo de norte em relação à decisão que vai ser tomada”, avaliou.

Segundo ela, um perfil mais técnico do que político funcionaria como uma âncora para o mercado ao longo dos próximos quatro anos.

Além do ministério da Fazenda, a economista chama atenção para as indicações ao Banco Central. Duas cadeiras na diretoria da instituição estão vagas desde janeiro, e mais duas devem ficar disponíveis em janeiro do ano seguinte.

“Afinal de contas, é quase metade do grupo que decide a taxa de juros, o Copom, que é composto por nove membros”, destacou Kawauti. A economista considera que indicações com viés mais político do que técnico representam um risco real, ainda que não seja o cenário mais provável.

Congresso e prêmio de risco nos ativos

Questionada sobre o papel do Congresso no ajuste fiscal, Kawauti ponderou que, em caso de alinhamento entre Executivo e Legislativo, as pautas econômicas teriam mais facilidade de avançar.

No entanto, alertou que o Congresso eleito não foi formado apenas em torno de pautas econômicas, o que pode dispersar energias.

“Esse primeiro ano do governo vai ser um ano de um teste muito grande para o mercado entender que a gente vai ter uma trajetória melhor do fiscal nos próximos quatro anos”, afirmou.

Em relação aos preços dos ativos, a economista avalia que o prêmio de risco ainda está embutido nas curvas de juros e em outros mercados. “Mesmo com esse rali que a gente viu ao longo desse começo de semana, a gente ainda tem muito prêmio de risco pesando sobre os ativos”, disse, citando renda fixa, renda variável e o câmbio como exemplos.

Para Kawauti, os preços só devem se normalizar quando houver definições práticas e concretas sobre o rumo da política econômica.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.


Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/desafio-fiscal-vai-se-impor-independetemente-das-eleicoes-diz-economista/