A eclosão da crise pública entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) expõe uma disputa maior já conflagrada: quem terá a palavra final dentro do bolsonarismo e quem herdará o espólio político de Jair Bolsonaro (PL).
A estratégia de Michelle é de se posicionar como a integrante da família mais fiel às diretrizes de Jair Bolsonaro, inclusive com a tentativa de formar uma bancada de senadoras fiéis a ela. E há quem aposte que o olhar da ex-primeira-dama está também em 2030, em um cenário pós-Lula (PT).
Na pré-campanha de Flávio Bolsonaro, a ordem é de contenção de danos. A reação inicial do senador foi de tentar ignorar a polêmica. Na noite desta quarta-feira (24), após os vídeos de Michelle, o senador chegou a dizer que, em “dia de jogo do Brasil, nada nem ninguém” o aborreceria.
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Publicado em 2026-06-26 00:00:55A crise, porém, ganhou tração e desde então Flávio usa as redes sociais para tentar conter o desgaste pelos ataques da própria madrasta.
“Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas”, declarou Flávio.
Do outro lado, Michelle também buscou baixar a temperatura nesta quinta-feira (25), alegando não haver “briga nem competição”. A narrativa mais pacífica, no entanto, contrasta com o peso da bomba lançada no dia anterior, quando os vídeos publicados pela ex-primeira-dama trouxeram ainda um recado difícil de escantear: ela ainda não disse tudo que poderia falar.
O fogo cruzado dividiu o bolsonarismo e, agora, aliados de ambos os lados fazem cálculos sobre quem sai ganhando com o embate.
Para o entorno do senador, esta não é a primeira nem será a última crise familiar. Eles avaliam que Michelle sai enfraquecida politicamente pela repercussão negativa de dividir a direita e por não ter conseguido, a princípio, reverter as alianças do PL que contestava no Ceará.
Já os defensores da ex-primeira-dama enxergam outro saldo. Para esse grupo, Michelle se posicionou como uma peça inescapável na sucessão do bolsonarismo, reforçou seu peso político e se apresentou como uma voz com capacidade de mobilização dentro da direita.
Seja qual for o caminho adotado, a fissura ainda levanta questões aos bolsonaristas nos bastidores. Por exemplo, se a autoridade de Jair Bolsonaro já não basta para encerrar os conflitos internos do próprio grupo.
A eventual incapacidade de conter as divergências atuais também joga dúvidas sobre como a família Bolsonaro e seus aliados conseguiriam se manter unidos em uma eventual volta ao poder, caso a direita vença as próximas disputas presidenciais.
Apesar do risco de fragmentação, a aposta no entorno de Flávio Bolsonaro é no pragmatismo. O cálculo é que o eleitor do senador é, acima de tudo, guiado pelo sentimento anti-Lula, o que garantiria os votos lá na frente na base da polarização. Portanto, a expectativa do grupo é que a base bolsonarista siga intacta nas urnas.