A poucos dias do confronto contra o Brasil pelas oitavas de final da Copa do Mundo, a Noruega concentra seus esforços na recuperação física do elenco. A gestão do desgaste dos jogadores se tornou uma das principais preocupações da comissão técnica antes da partida deste domingo (5).
O alerta aumentou após a vitória por 2 a 1 sobre a Costa do Marfim, na última terça-feira (30). Autor do gol da classificação aos 41 minutos do segundo tempo, Erling Haaland admitiu que terminou a partida no limite.
“Estava morto de cansaço. Não teria condições de jogar uma prorrogação”, afirmou o atacante.
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Publicado em 2026-07-02 12:47:05Haaland e o capitão Martin Ødegaard já haviam sido preservados na derrota por 4 a 1 para a França, na última rodada da fase de grupos, justamente para reduzir o desgaste acumulado após uma longa temporada no futebol europeu.
Mesmo assim, o técnico Ståle Solbakken revelou que Haaland já demonstrava sinais de exaustão no início da segunda etapa contra os marfinenses.
Segundo Dom Rae, especialista em medicina esportiva que trabalha no Al Nasr, dos Emirados Árabes Unidos, a recuperação completa é praticamente impossível durante a competição.
“Não é possível eliminar o estresse físico acumulado ao longo de uma ou duas temporadas. Esses jogadores, principalmente os principais nomes, disputaram muitos jogos e convivem com uma fadiga crônica”, explicou.
Apesar disso, Rae acredita que o intervalo entre as partidas é suficiente para melhorar significativamente a condição física.
“Normalmente, o pico de fadiga acontece cerca de 48 horas após o jogo. Em alguns casos, pode durar até 72 horas, mas por volta do quinto dia praticamente todos voltam ao normal.”
Brasil e Noruega chegam ao confronto em condições semelhantes quanto ao calendário. A Seleção Brasileira terá seis dias de descanso antes das oitavas, enquanto os noruegueses contarão com cinco.
Para o especialista, esse período intermediário pode até favorecer a Noruega.
“Quando há apenas três ou quatro dias entre os jogos, o planejamento é simples: descansar, recuperar, preparar e jogar. Com cinco ou seis dias, fica mais difícil encontrar o equilíbrio, porque não dá para treinar pesado, mas também é tempo demais para não fazer nada.”
Durante a folga após o duelo contra o Iraque, a comissão técnica norueguesa liberou os atletas para passear por Nova York, estratégia que, segundo Rae, também contribui para a recuperação.
“O cérebro controla o estresse, os hormônios e o sono. Se o jogador está psicologicamente bem, esse ganho emocional é tão importante quanto o descanso físico. Foi uma escolha calculada do treinador.”
Rae também defendeu as pausas para hidratação durante as partidas, mesmo quando as temperaturas não parecem extremas.
“Os jogadores perdem líquidos, eletrólitos e glicogênio durante os jogos. As equipes que aproveitam essas paradas como uma ferramenta de desempenho acabam levando vantagem”, concluiu.