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Daniel Vorcaro e o Banco Master viraram chagas tóxicas capazes de drenar biografias, destruir reputações e criar desgaste a qualquer indivíduo, empresa e organização a que eles estiverem direta ou indiretamente associados. Até aqui, o caso drenava popularidade de Lula, muito pela associação com o STF e alguns de seus membros, como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Mas isso ficou em segundo plano, na medida em que o nome de Flávio Bolsonaro entrou na roda, depois da divulgação de um áudio em que o pré-candidato do PL suplicava por dinheiro para financiar um filme sobre a vida de seu pai.
Não há prova de crime, pelo menos não por enquanto, na conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. O teor do diálogo entre ambos é revelador, entretanto, de uma proximidade que o pré-candidato do PL negou em diversas oportunidades. Inclusive no mesmo dia em que o The Intercept Brasil publicou o teor das mensagens trocadas. Questionado sobre o repasse de recursos do banqueiro para o filme Dark Horse, Flávio Bolsonaro deu de ombros: “De onde você tirou essa informação? É mentira”, disse gargalhando. Poucas horas depois já não havia mais motivo para risada. A crise havia envolvido sua pré-campanha.
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Publicado em 2026-05-15 17:22:48Flávio Bolsonaro, naquele tom de quem negocia alguns milhões como se comprasse água de coco na praia de Copacabana, colou o Master ao sobrenome da própria família. Pode não ter sido crime, mas certamente não foi nada compatível com quem pretende ser presidente
Enquanto a militância convulsionava nas redes sociais, ampliando o desgaste entre alas que já estavam em processo de esgarçamento, Flávio Bolsonaro se reunia com figurões de seu partido para traçar uma estratégia de emergência. A conversa, que envolveu Valdemar da Costa Neto e Rogério Marinho durou horas e não produziu qualquer resultado significativo. Nas redes e no debate público, o senador continua sangrando, sendo questionado até por entusiastas de sua candidatura.
A entrevista que concedeu para a Globonews revelou camadas adicionais de fragilidade para sua narrativa. As muitas perguntas que tentou responder resultaram em um emaranhado de contradições. Vorcaro não doou, mas o dinheiro veio de uma empresa que o tem como proprietário. O fundo para o qual o dinheiro foi encaminhado é para o filme, mas administrado pelo advogado do irmão que é residente nos Estados Unidos.
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O dinheiro que seria para produção não foi recebido pela produtora que “afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõe o quadro de financiadores do longa-mentragem Dark Horse”, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob seu controle”.
Se não houve participação de Vorcaro no financiamento de Dark Horse, por que então Flávio cobrou de Vorcaro para que este mandasse o dinheiro que seria devido? Na certa, não porque é um diletante cinematográfico, um filantropo da cultura da sétima arte. De bem intencionado, aliás, ele nada tinha.
O verdadeiro negócio do banqueiro era identificar uma permissividade para ser explorada financeiramente em troca de facilidades e favores futuros. Perscrutava a institucionalidade e a classe política atrás de flancos expostos ao seu lobby agressivo. O encontrou aos borbotões. Flávio Bolsonaro, naquele tom de quem negocia alguns milhões como se comprasse água de coco na praia de Copacabana, colou o Master ao sobrenome da própria família. Pode não ter sido crime, mas certamente não foi nada compatível com quem pretende ser presidente da República fazendo a retórica de repúdio ao “sistema”.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos