“Conquistar quem não me conhece”: Pedro Sampaio celebra fase internacional
DJ e produtor estreia no Palco Mundo do Rock in Rio Lisboa no sábado (20)
A força de um vulcão em erupção inspira a nova fase de Pedro Sampaio, 28. O DJ e produtor brasileiro desembarca no Rock in Rio Lisboa no sábado (20), com uma versão inédita da "Brazilian Chaos Tour", trazendo nova cenografia, figurinos exclusivos e um espetáculo pensado especialmente para sua estreia no Palco Mundo do festival.
Em entrevista à CNN Brasil, Pedro Sampaio falou sobre a preparação para grandes festivais, a importância de reinventar seus shows e a busca por criar experiências que vão além da música. Para ele, cada apresentação precisa ter uma identidade própria -- seja valorizando seu lado DJ, seja explorando a performance e o universo pop.
Com uma turnê pela Europa que passa por países como Suíça, Espanha, França, Holanda, Alemanha e Irlanda, o astro destacou ainda desejo de levar o funk e a cultura brasileira para novos públicos.
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Publicado em 2026-06-17 07:57:57Além do Rock in Rio Lisboa, Pedro já se prepara para o Rock in Rio Brasil, onde também subirá ao Palco Mundo com um espetáculo diferente. “Não vai ser o que eu venho fazendo, vai ser tudo outra coisa”, adiantou o artista. Ele se apresenta na Cidade do Rock em 12 de setembro.
Confira a entrevista completa com Pedro Sampaio
CNN: Obrigada pelo espaço e por falar com a gente. Imagino que sua agenda esteja corrida, então agradeço. Você já se apresentou no Rock in Rio, The Town, Lollapalooza e vai voltar agora para o Rock in Rio Lisboa, depois para o Rock in Rio Brasil. Qual o diferencial que você busca trazer em relação às suas performances anteriores nos festivais e como pretende diferenciar uma apresentação da outra, ainda mais com os dois Rock in Rio tão próximos?
Pedro Sampaio: Eu acho que meu público percebe muito isso: eu me entrego de corpo e alma em relação ao show. Então eu sei da importância de sempre trazer algo novo para o público. Existem várias variáveis, desde o repertório até a cenografia, que eu sempre gosto de mudar o tempo todo. É muito vivo para mim. Além disso, tem um lado de pensar 'Nesse festival eu quero ser mais pop star, quero cantar e dançar mais. Nesse outro, eu quero ser mais DJ'. Por exemplo, o The Town foi um show em que eu escolhi ser mais DJ. A gente colocou plataformas, tinha balé, tinha tudo, mas eu escolhi estar mais como DJ para que o público apreciasse mais esse meu lado.
Já no palco Sunset do Rock in Rio, eu fui mais pop star, tinha mais a coisa do microfone, de ir para frente, dançar e cantar. Acho que são dois espetáculos iguais, porém diferentes. E cada vez mais eu vou encontrando esse lugar.
Agora eu faço Rock in Rio Lisboa e depois o Rock in Rio Brasil, que eu tenho certeza de que serão dois momentos muito especiais na minha carreira. Eu e meu time, meus fãs, a gente trabalhou muito para chegar nesse lugar. É uma honra poder subir no Palco Mundo de um festival como o Rock in Rio. Então, meu máximo esforço é ensaiar para que tudo ocorra 100% como planejei. E, se não for como planejei, que seja maravilhoso também.
CNN: É legal você comentar isso, da sua preocupação com cenografia e essa experiência completa. Seu show tem dança, estética, narrativa e surpresa. Quando você percebeu que não queria só subir no palco e cantar, mas criar todo um universo?
Pedro Sampaio: Desde sempre. Eu acho que, desde sempre, eu sou esse cara performer, esse entertainer. Chamar gente no palco, por exemplo, eu faço desde quando comecei a fazer show. Só que agora a diferença é que eu tenho mais estrutura, um corpo maior enquanto artista, e já temos um tempo de carreira que construiu, de fato, um universo.
A gente tem praticamente personagens. Tem um momento do show em que entra o Riquencio, que viralizou no Carnaval de Sunga. O pessoal vai à loucura porque ele é um personagem. Tem também o momento de 'Feiticeira', em que entram as feiticeiras. Eu acho isso interessante porque é entretenimento. Ao mesmo tempo, é um show, é música, é performance. Agora tem também a parte dos leques, que a gente faz uma performance muito maneira, que eu amo. É muito satisfatório de assistir. Hoje, por onde a gente passa, eles esgotam. As pessoas levam os leques também, e fica um mar de leques.
É muito legal como o público dança conforme a música e engaja nesses conceitos. Além de tudo, eu também sou um artista pop. Acho que o pop traz isso: o conceito, essa onda em que o fã embarca, da roupa, da cor, dos símbolos. Meu show é repleto disso.
CNN: Uma das suas performances, inclusive no Lollapalooza 2023, ficou marcada na história do festival. Quando fazemos listas de performances marcantes do Lolla, seu nome sempre aparece. Você abraçou sua sexualidade, foi um momento muito bonito e uma revelação. Você tem o intuito de criar essas surpresas nos shows ou é algo natural?
Pedro Sampaio: Especificamente no Lollapalooza foi algo que, naquele momento, fazia sentido para mim. Eu acho que hoje eu tenho um tamanho no Brasil em que minha voz chega em vários lugares. Minha voz, minha música, minha arte e meu trabalho entram na casa das pessoas. Então fazer aquilo no Lolla era um momento que eu julguei interessante e importante, porque geraria conversa na casa dos brasileiros, geraria debate e traria luz para esse assunto. De repente, para jovens que tinham esse assunto como um tabu, eles estavam vendo no palco do Lollapalooza, com o público gritando e falando sobre isso.
Mas sempre busco trazer momentos interessantes, inéditos e inesperados para cada show que faço. Eu acho que isso faz parte da apresentação, traz esse elemento surpresa.
CNN: Você está em turnê pela Europa agora, vai passar por vários lugares, como Suíça, França e Espanha. Você sente uma pressão maior para entregar nesses países ou é a mesma sensação que qualquer outro show?
Pedro Sampaio: Quando o show dá esgotado, eu sinto até um alívio. Eu penso 'Que bom'. Mas está sendo uma turnê de muito sucesso. Eu fico muito feliz porque eu percebo que existe uma força muito grande. Às vezes as pessoas falam 'Vai fazer show para brasileiro'. Eu quero fazer show para brasileiro também. O J Balvin, quando faz turnê, vai para lugares, como o Texas, e enche estádio de colombianos, mexicanos e latinos. Eu quero encher um estádio de brasileiros em Los Angeles, na Argentina. Eu quero isso.
A gente tem uma força muito grande que às vezes não percebe. Todos os lugares que estou passando, estamos vendendo ingressos. Essa turnê está sendo interessante porque, ao mesmo tempo em que faço shows em teatros e arenas para 3 mil, 4 mil pessoas, que é um show para fã, também estou fazendo festival em que ninguém me conhece. Fiz um festival em Chicago que era de reggaeton. Tinha brasileiros, mas a maioria era mexicano. Algumas pessoas me conheciam, outras não. E a gente ganha com a música.
A gente ganha levando a cultura brasileira, levando o ritmo do funk brasileiro e meu jeito de fazer música. Por eu ser DJ e produtor, eu misturo a cultura do país com a cultura brasileira e com meu DNA.
CNN: Você sente a responsabilidade de que está apresentando uma parte da cultura brasileira para o mundo?
Pedro Sampaio: Sinto. Sinto que faço parte desse time. Anitta, Luísa Sonza, Pabllo Vittar, Ludmilla são artistas que também estão fazendo isso. Eu entro para somar nesse movimento. Acho que o Brasil vive um momento muito especial da cultura em relação ao mercado internacional da música, da arte e da cultura brasileira no geral.
Eu sinto que, quando brasileiros que não moram no Brasil vão ao meu show, eles sentem que estão indo a um show brasileiro, não só do Pedro Sampaio. Eu me preocupo em levar a cultura brasileira.
CNN: Existe alguma reação do público internacional que te surpreendeu?
Pedro Sampaio: Eu fiz um show em Monterrey, no México, pela primeira vez. Era um show junto com a Coca-Cola. As marcas parceiras são importantes porque podem me levar para lugares onde talvez eu demorasse mais tempo para chegar. A gente tocou para 60 mil pessoas. Era um show em que eu não era headliner, o J Balvin era. Então o público estava muito ali para vê-lo também.
Eu senti que estava me apresentando para pessoas que não me conheciam. Eu queria conquistar quem não me conhecia: com meu rosto, meu carisma, minha música, minha dança, minha cultura, meu jeito de fazer show. Quando acabou, todo mundo estava em êxtase. E depois começaram a cantar “Olê, olê, olê, olê, Pedro, ô Pedro”.
Para mim, isso foi um presente, porque foi genuíno. Eles fizeram um grito deles, da cultura deles, mas colocaram meu nome porque gostaram do show.
CNN: Existe uma diferença emocional entre olhar para uma multidão de 60 mil pessoas no Brasil e uma plateia internacional desse tamanho?
Pedro Sampaio: Eu encaro que pessoas são pessoas, independentemente da nacionalidade. É claro que no Brasil talvez a gente vá para caminhos diferentes em relação ao repertório e à comunicação com o público, porque minha língua nativa e as pessoas já me conhecem. Com o público internacional tem a questão da língua, mas no final é isso, tem que passar verdade, tem que se conectar de forma genuína.
Eu vou querer atingi-los no mesmo lugar. Vou querer fazê-los pularem do mesmo jeito. No Brasil eu falo “pula” e no México eu falo “brinca”. São poucas diferenças. No final, eu encaro como seres humanos.
CNN: Para finalizar, o que você pode adiantar sobre o Rock in Rio Lisboa e o Rock in Rio Brasil?
Pedro Sampaio: O Rock in Rio Lisboa vai acontecer no meio da turnê da Brazilian Chaos. Vou levar esse conceito da energia caótica brasileira para o Palco Mundo. Só que vai ser um show totalmente diferente do show da turnê, preparei algo especial para Portugal.
Como vai ser um show de dia, vou entrar com uma cenografia, porque acho que isso vai deixar o palco mais imponente durante o dia. O conceito vai ser o caos, o Brazilian Chaos, mas com um show totalmente diferente.
E o Rock in Rio Brasil ainda tem um tempo, mas a gente já está se preparando. Vai ser tudo diferente. Não vai ser mais o conceito do caos, não vai ser o que eu venho fazendo. Vai ser outra coisa.