Conflito armado na Etiópia atinge maior escalada em quatro anos

Relatos indicam possíveis ataques com drones na capital Adis Abeba em meio ao recrudescimento do conflito contra forças da oposição

Da Reuters

Explosões foram ouvidas durante a madrugada de quinta-feira (1) em Adis Abeba, capital da Etiópia, segundo três fontes diplomáticas, aumentando a preocupação com a possível expansão do conflito que voltou a atingir o norte do país.

Uma fonte ligada à aliança de oposição que combate as forças do governo no norte da Etiópia desde a semana passada afirmou que o grupo realizou vários ataques com drones em Adis Abeba, incluindo contra instalações militares. A Reuters não conseguiu verificar a alegação de forma independente, e testemunhas disseram não ter visto danos nas proximidades da base militar.

Caso seja confirmado, este seria o primeiro ataque conhecido com drones realizado por forças antigovernamentais contra a capital etíope, localizada a centenas de quilômetros das linhas de frente nas regiões de Tigré, Amhara e Afar.

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Os porta-vozes do gabinete do primeiro-ministro Abiy Ahmed, do governo federal e das Forças de Defesa Nacional da Etiópia não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Na quarta-feira, o serviço nacional de inteligência anunciou a proibição de voos de drones sobre Adis Abeba e áreas próximas por motivos de segurança. As forças de oposição não eram conhecidas anteriormente por utilizar drones armados, mas há indícios crescentes de que podem ter essa capacidade.

Na terça-feira, uma milícia pró-governo afirmou ter apreendido estruturas e baterias de drones de forças ligadas à Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF), um dos principais integrantes da aliança de oposição. A Reuters também não conseguiu verificar essa informação de forma independente.

Os confrontos da última semana representam a maior escalada de violência na Etiópia desde o fim da guerra civil de 2020 a 2022. O conflito atual rompeu um acordo de paz firmado há quatro anos entre a TPLF e o governo federal.

Desta vez, a TPLF formou uma aliança com outros seis grupos armados que têm como objetivo derrubar o governo de Abiy. As forças federais avançam pelo sul do Tigré, aproximando-se da capital regional, Mekelle, enquanto a aliança de oposição tomou cidades na vizinha região de Afar.

Os combates em Afar obrigaram dezenas de milhares de pessoas a deixar suas casas, segundo Valerie Browning, fundadora da Associação de Desenvolvimento Pastoral de Afar. Um funcionário do governo regional afirmou à Reuters que forças federais e regionais retomaram as cidades de Erebti e Abaala, próximas à fronteira com o Tigré. A Reuters não conseguiu verificar de forma independente os relatos sobre os combates.

O conflito também aumenta os temores de desestabilização no Chifre da África, região que já enfrenta a guerra civil no Sudão, tensões entre a Etiópia e a vizinha Eritreia pelo acesso ao Mar Vermelho e os efeitos de conflitos no Oriente Médio.

O governo etíope acusa Eritreia, Sudão e Egito de apoiar a aliança de oposição. Os três países negam as acusações.

O administrador-chefe de Afar, Haji Awol Arba, afirmou nesta semana à Al Jazeera que soldados eritreus haviam entrado em Afar para se juntar à ofensiva da aliança. O ministro da Informação da Eritreia não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Na guerra civil anterior, a Eritreia lutou ao lado do governo federal etíope contra a TPLF. As relações entre os antigos rivais se deterioraram depois do conflito, enquanto Asmara passou a ver as repetidas declarações de Abiy de que a Etiópia tem direito a acesso ao mar como uma ameaça implícita.

Abiy afirma que a Etiópia pretende obter acesso ao mar por meios pacíficos.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/noticias/conflito-armado-na-etiopia-atinge-maior-escalada-em-quatro-anos/