Lavoura de milho no Rio Grande do Sul. (Foto: Hugo Harada / Arquivo Gazeta do Povo)

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Nós sabemos que Lula gosta do MST e não gosta do agronegócio, até já chamou os produtores de fascistas. Pois o agro está passando por apertos, um atrás do outro. Houve uma reunião com o presidente do Senado nesta quarta-feira, com lideranças políticas do Rio Grande do Sul, como os deputados Osmar Terra e Zucco. A dívida dos agricultores gaúchos, principalmente por causa da enchente e dos juros altos, está em R$ 70 bilhões!

O deputado Alceu Moreira estava falando na Comissão de Agricultura, se não me engano, e estava se queixando dos ambientalistas. Os concorrentes do agro brasileiro agradecem os serviços prestados pelos ambientalistas, que atrapalham tudo. Querem fazer hidrovia? Não, não pode. A Ferronorte trisca uma reserva indígena? Não, não pode. Está cheio de ferrovia enferrujando pelo país, mas ela é essencial. Estava ouvindo o depoimento de um português que queria ir para a Suíça, e estava na fronteira da Espanha com a França. Ele viu um caminhão português e perguntou ao seu conterrâneo caminhoneiro para onde ele ia. “Vou para Moscou levando carga”, ele respondeu. O primeiro perguntou que estrada ele usava, e vejam a resposta: “Não uso estrada. Eu ponho meu caminhão em cima do trem”. Nós praticamente não temos trem. Somos um país-continente, do tamanho da Europa, e, além de não termos trem, dificultamos ao máximo a instalação de ferrovias. Nós já tivemos mais trilhos que rodovias, mas isso se inverteu. A rodovia encarece o produto que está sendo escoado.

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Alceu Moreira continuou listando os problemas. Não temos armazenamento, por exemplo. Segundo ele, temos 26% da safra com potencial de ser armazenada nas fazendas; deveria ser o dobro. O produto fica em cima do caminhão, ou dentro de um navio esperando o preço. Mas o preço cai porque, se não vender, tem de jogar fora o grão. Estamos à mercê dos nossos compradores internacionais. Temos o caso do javali. O produtor precisa caçar, mas não pode, tem de conservar o bicho – até sermos todos mortos por ele, que está destruindo florestas, as aves do Pampa que fazem o ninho no chão, destroem tudo o que encontram. Há risco de febre aftosa, de peste suína. O deputado diz que não há como produzir com juros de 15%, com spread de 6%.

Vejam, então, como está a situação do agro, que é o que dá certo neste país. Somos masoquistas. Os governos brasileiros deveriam fazer de tudo para estimular o agro. Nós poderíamos ser o superceleiro de comida do mundo. Do território nacional de 8,5 milhões de km², só usamos uns 8% para a agricultura, talvez 20% para o gado. É mínimo. Só de áreas indígenas, para comparar, são 15%. E mesmo assim ainda temos potencial para alimentar quase 2 bilhões de pessoas.

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Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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