Pessoas durante uma tarde em Estocolmo, na Suécia, em 2020. (Foto: Fredrik Sandberg/EFE/EPA)

Após uma crise severa nos anos 1990, a Suécia transformou sua economia ao cortar gastos públicos, privatizar serviços e reformar a previdência. Essas medidas reduziram a participação do governo no PIB e transformaram o país em uma referência de crescimento e responsabilidade fiscal.

O que motivou a mudança no modelo econômico da Suécia?

Entre as décadas de 1930 e 1980, o país construiu um Estado de bem-estar social extremo, com impostos que chegavam a 90% para os mais ricos. Esse modelo esgotou a competitividade das exportações e gerou déficits. No início dos anos 90, a crise explodiu: bancos quebraram, o desemprego saltou de 2% para 11% e os juros foram a 500% ao ano, forçando políticos de direita e esquerda a concordarem com reformas profundas.

Quais foram as principais reformas implementadas para reduzir o peso do Estado?

O governo promoveu privatizações na saúde e educação, criou um teto de gastos rígido e reformou a previdência, trocando o valor fixo garantido por contas individuais ligadas às contribuições de cada trabalhador. Além disso, eliminou impostos sobre herança e patrimônio e reduziu a alíquota máxima do imposto de renda de 90% para cerca de 50%, visando manter talentos e capital no país.

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Como funcionam os serviços públicos suecos atualmente?

Diferente do passado estatizante, hoje quase metade das unidades de saúde primária são geridas por empresas privadas. Na educação, o setor foi aberto à concorrência, o que melhorou o desempenho das escolas públicas e deu mais opções às famílias. O gasto público total, que já foi de 72% do PIB, hoje está na casa dos 50%, com foco em eficiência e sustentabilidade financeira.

Quais resultados econômicos foram alcançados com essas medidas?

A Suécia hoje tem uma das menores dívidas públicas da Europa, em torno de 35% do PIB, enquanto países como França e Itália superam os 100%. A renda real das famílias dobrou desde os anos 90 e o crescimento do país para 2026 supera as projeções da Alemanha. Atualmente, a economia sueca é considerada mais orientada ao livre mercado do que a dos Estados Unidos em diversos critérios.

Quais são as mudanças previstas para o futuro da economia sueca?

Recentemente, o Parlamento aprovou o fim da regra de superávit obrigatório, que será substituída por uma meta de orçamento equilibrado a partir de 2027. O objetivo é liberar recursos para modernizar a infraestrutura, financiar a transição para energias renováveis, combater o crime organizado e atingir as metas de gastos militares da OTAN. Enquanto isso, as pesquisas para as próximas eleições gerais mostram uma possível liderança da centro-esquerda.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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