A inteligência artificial deixou de ser uma promessa distante e já faz parte do planejamento e da tomada de decisões em grandes projetos industriais.
O tema foi debatido durante a segunda edição da Jornada da Engenharia, promovida pela Abemi (Associação Brasileira de Engenharia Industrial) em São Paulo. Especialistas discutiram como a tecnologia pode transformar o papel do engenheiro e quais habilidades humanas se tornam cada vez mais relevantes nesse cenário.
O evento reuniu profissionais do setor para discutir os impactos da IA na engenharia industrial e os caminhos para a capacitação dos profissionais diante das mudanças tecnológicas.
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Publicado em 2026-09-30 19:30:55O engenheiro do futuro
Um dos pontos centrais do debate foi o perfil exigido do engenheiro na era da inteligência artificial. De acordo com André Fregolente, consultor executivo da Indústia da Octave, o profissional precisará desenvolver habilidades cognitivas, aprender continuamente e saber aplicar a tecnologia nos processos de trabalho.
“Ele tem que aprender, não vai ter jeito, é irreversível esse processo. Mas ele tem que saber utilizar nos seus processos de trabalho atual, senão não tem eficiência dentro da sua empresa”, afirmou Fregolente.
“E ao mesmo tempo ele tem que se autocapacitar o tempo todo”, completou.
Guilherme Klein, gerente de Entrega de Serviços da Siemens, destacou que a maturidade tecnológica da IA já é suficiente para lidar com responsabilidades industriais.
“Não há dúvidas de que a tecnologia já atingiu um nível de maturidade suficiente para poder trabalhar para este nível de responsabilidade, que é a responsabilidade de fazer respostas de questões industriais”, declarou Klein.
Supervisão humana como fator essencial
Apesar do avanço tecnológico, os especialistas foram unânimes ao ressaltar que a supervisão humana continua sendo indispensável. A delegação de tarefas críticas à inteligência artificial exige camadas de segurança cada vez mais sofisticadas.
“Segurança é o ser humano. A gente não pode confiar 100% cegamente numa saída gerada simplesmente por uma máquina”, alertou Klein.
Já André Fregolente demonstrou otimismo cauteloso: “Eu vejo um futuro super promissor se a gente toma os devidos cuidados”.
A associação avalia, no entanto, que o uso da inteligência artificial no Brasil ainda enfrenta um longo caminho no ambiente corporativo.
Presidente da Abemi, Nelson Romano ilustrou o contraste entre o uso individual e o empresarial da tecnologia: “a questão que foi levantada aqui, quando levantou o braço, quem utilizou a inteligência artificial nesta semana, todo mundo levantou. Se você faz a mesma pergunta para as empresas, é muito pouco”.
Para ele, “a inteligência artificial a nível empresarial ainda está caminhando”, mas na área de engenharia conceitual, a participação da IA tende a ser cada vez maior e crescente.