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A Colômbia realiza neste domingo (31) o primeiro turno de uma eleição presidencial marcada pelo avanço da violência durante o governo de Gustavo Petro. Nas pesquisas, o senador Iván Cepeda, candidato apoiado pelo presidente, lidera a disputa, mas os cenários de segundo turno indicam uma vitória da direita.
Em diferentes simulações, Cepeda aparece atrás do direitista Abelardo de la Espriella ou da conservadora Paloma Valencia, que ocupam a segunda e a terceira posições nos levantamentos para a votação inicial. Se necessário, o segundo turno será realizado em 21 de junho.
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Publicado em 2026-05-30 19:34:45Tanto Espriella quanto Valencia enfatizam em seus discursos a reivindicação da população colombiana por mais segurança, o que explica seu apelo junto ao eleitorado, já que a Colômbia vive um momento de alta na violência.
Um relatório do InSight Crime, uma organização sem fins lucrativos de jornalismo investigativo sobre o crime organizado na América Latina e no Caribe, apontou que, além de a taxa anual de homicídios na Colômbia ter permanecido na faixa dos 25 por 100 mil habitantes que vinha de governos anteriores – a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que taxas acima de dez configuram violência epidêmica –, os confrontos armados entre grupos criminosos aumentaram durante a gestão Petro.
“Em pelo menos metade dos departamentos [equivalentes a estados] da Colômbia, houve um aumento nos confrontos entre esses grupos em 2025”, destacou o InSight Crime.
Nesse cenário, o senador colombiano e pré-candidato presidencial Miguel Uribe Turbay, do partido conservador Centro Democrático (legenda de Valencia), foi baleado em junho do ano passado em Bogotá e morreu em decorrência dos ferimentos dois meses depois.
A execução foi atribuída a grupos guerrilheiros, assim como um atentado a bomba no departamento de Cauca no mês passado, que resultou na morte de 20 pessoas e deixou 36 feridos.
Outros fatos recentes que chocaram a população da Colômbia foram os assassinatos de dois membros da equipe de campanha de Espriella e do jornalista Mateo Pérez Rueda.
Petro propôs durante seu mandato a chamada Paz Total, para negociar com grupos guerrilheiros acordos de paz semelhantes aos que o governo colombiano assinou com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em 2016.
Entretanto, essas tratativas não avançaram e o tráfico de drogas, que financia tais grupos, só aumentou.
Um relatório divulgado em outubro de 2024 pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês) apontou que as áreas de cultivo de coca na Colômbia cresceram 10% em 2023, atingindo 253 mil hectares, e a produção de cocaína chegou a 2.664 toneladas, um aumento de 53%.
Essa leniência deixou Petro na mira do presidente americano, Donald Trump. Em outubro do ano passado, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA impôs sanções econômicas ao presidente colombiano, à esposa dele, Veronica del Socorro Alcocer Garcia, ao filho mais velho e a Armando Benedetti, ministro do Interior, alegando que Bogotá permitiu que os cartéis de drogas “florescessem” e “se recusou a parar suas atividades”.
Depois que Petro e Trump se encontraram na Casa Branca, em fevereiro, os dois presidentes anunciaram cooperação no combate ao narcotráfico e os ânimos entre os dois governos aparentemente teriam sido apaziguados.
Porém, o jornal The New York Times informou em março que Petro se tornou alvo de duas investigações nos EUA por suposto envolvimento com narcotraficantes colombianos.
Nesse contexto, crescem as chances de a direita “virar” outra presidência na América do Sul, como aconteceu nas eleições mais recentes na Bolívia e no Chile.
“A violência desloca o debate público. Temas como inclusão, desigualdade e reformas estruturais perdem espaço para uma demanda mais imediata por ordem e controle. Quando o eleitorado passa a perceber deterioração da segurança, tende a valorizar propostas de resposta rápida e firme, o que historicamente favorece candidaturas associadas a agendas mais duras no combate ao crime”, disse Eduardo Galvão, professor de políticas públicas do Ibmec de Brasília, em entrevista à Gazeta do Povo.