Com sotaques do Brasil, "A Revolução dos Bichos" ganha audiossérie
À CNN Brasil, Gaby Amarantos, Matheus Nachtergaele e Mateus Solano abrem o jogo sobre a importância de atualizarem um clássico da literatura em formato de áudio
Os fãs de literatura e do formato em áudio têm um encontro marcado com um dos maiores clássicos de todos os tempos. Nesta quinta-feira (23), a Audible lança a audiossérie de "A Revolução dos Bichos", de George Orwell, de 1945.
Recheada de brasileiros, a versão nacional traz Gaby Amarantos, 47, no papel de narradora principal, acompanhada por um elenco de peso na pele dos porcos que lideram a revolução: Adanilo, 35 (Bola de Neve), Matheus Nachtergaele, 58 (Major) e Mateus Solano, 45 (Napoleão).
À CNN Brasil, os artistas revelam os bastidores da experiência sensorial, os desafios em atuar apenas com a voz e a urgência de resgatar clássicos em um mundo dominado por excesso de estímulos visuais.
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Publicado em 2026-07-24 08:39:00Para Amarantos, Nachtergaele e Solano, transformar a obra em um projeto puramente auditivo é quase um ato de resistência em um cotidiano hiperconectado.
"Nesse mundo que a gente tá vivendo, inclusive por causa do excesso de telas e falta de concentração, o áudio realmente facilita o acesso. As pessoas têm muita dificuldade de ler, então acessar uma obra, que já é relativamente fácil, facilitada pelo áudio pode, inclusive, chamar as crianças também. A fábula serve para isso", diz Solano.
Nachtergaele complementa com um olhar ainda poético e ancestral sobre o ato de ouvir histórias, traçando um paralelo incômodo com o vício moderno nas redes sociais.
"Fiquei pensando imediatamente nessa coisa da contação de histórias, de deitar na cama e pedir para alguém que você ama contar histórias para você. Tenho a sensação gostosa de que as pessoas vão estar ouvindo essa fábula e torcendo para que as vozes tenham ficado bonitas, inspiradas", acrescenta.
Sotaques do Brasil: a voz da Amazônia como fio condutor
Conhecida por brilhar nos palcos com presença marcante, Gaby encarou o desafio de traduzir a própria potência exclusivamente nas cordas vocais. "Foi babado, viu?", brinca. "Eu gosto muito de colocar a minha criatividade à prova. Era algo que eu nunca tinha feito", comenta.
Segundo ela, o grande trunfo da produção, que conta com mais de 60 vozes de artistas, é a celebração da diversidade regional do Brasil.
"A voz é um instrumento e, por meio da potência das vozes, da cadeia dos sotaques, a gente consegue integrar toda essa brasilidade. A gente ter essa voz condutora de uma mulher que é da Amazônia contando essa história faz a gente, enquanto brasileiro, se olhar mais, perceber essa diversidade tão linda", reflete.
Porcos do poder entre utopia e tirania
Dar vida a personagens tão emblemáticos e carregados de simbologia política exigiu nuances cirúrgicas dos atores. Nachtergaele, que dá voz ao idealizador da revolução, refletiu sobre o tom que escolheu para o personagem e se ele ainda teria fé na mudança se vivesse nos dias de hoje.
"Se eu fosse falar por mim, que sou capricorniano, humanista, mas ateu, a voz estaria desencantada. Mas, do ponto de vista da fábula, a voz teria que permanecer cansada, mas esperançosa e sábia. Já tem o cansaço da vida, mas ainda o sonho brilhando e tentando contaminar as próximas gerações. O Major é o próprio sonho", entrega.
Já Solano teve a missão de construir a autoridade do grande antagonista da história, o porco Napoleão, sem poder contar com recursos visuais para demonstrar sua vilania.
"A vilania é situacional. Ele é um cara que luta pelos princípios dele desde o início com a mesma força. Primeiro, a gente acredita que ele está lutando pelo bem; depois, percebe que ele está usando de outras coisas, se desvirtuando. Napoleão nunca se torna Napoleão; ele sempre foi, sempre é Napoleão. E que tempos loucos... Porque é muito fácil a gente aderir a quem faz brilhar alguma ideologia, mesmo que seja falsa", conclui.