O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) expandiu o combate ao crime organizado no país com novos escritórios em cidades estratégicas: São Paulo, Rio de Janeiro e Foz do Iguaçu.
As capitais paulista e fluminense são conhecidas pela atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Comando Vermelho. Já a cidade paranaense é um importante ponto para atuação criminosa das facções, que utilizam a região de tríplice fronteira (com Argentina e Paraguai) para o tráfico de drogas e armas, contrabando, descaminho e entre outros.
Para Ricardo Saadi, presidente do Coaf, a ampliação do Conselho para locais importantes do crime organizado vai permitir que o órgão conheça mais sobre o fluxo criminoso nas regiões.
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Publicado em 2026-07-02 13:56:06“É muito melhor se pudermos estar próximos dos setores obrigados e autoridades. São Paulo é o centro financeiro do país, onde também ocorre grandes investigações tanto pelas polícias quanto pelo Ministério Público”, afirmou durante inauguração do escritório em São Paulo na tarde desta quarta-feira (1°).
Saadi assumiu o Coaf há cerca de um ano, após deixar a diretoria de combate ao crime organizado e corrupção da PF. A expansão para os três estados é só um primeiro passo para futuras ampliações do órgão em outros pontos do Brasil.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, também participaram da inauguração e destacaram, respectivamente, a longa intenção de Saadi de fortalecer o Coaf e a importância da mudança de patamar no combate ao crime organizado como um propósito do governo federal.
O presidente esclareceu que o Coaf não realiza investigações, mas apenas elabora RIFs (Relatórios de Investigações Financeiras), após pedidos de análise de transações por forças de segurança ou instituições privadas. Em 2025, o Conselho realizou mais de 20 mil relatórios que auxiliaram em investigações policiais.
Investimento em tecnologia
Atuando com autonomia “total e irrestrita”, o Coaf passa por um processo de ajustes e melhorias, principalmente após um investimento de R$ 30 milhões do Ministério da Justiça firmado na última quinta-feira (25). O valor será destinado principalmente à ampliação da capacidade tecnológica do órgão.
Modernização e a ampliação dos recursos humanos e da estrutura foram os principais destaques. Veja os avanços que já são explorados:
- Desenvolvimento do sistema de análise das comunicações e envio das RIFs para as forças de segurança ;
- Na comunicação ao Coaf, será possível fazer uma inserção de dados mais inteligente, para melhor tratamento e apuração dos dados financeiros;
- Setor de “juízo de admissibilidade” dentro do núcleo de inteligência: avaliação profunda dos pedidos das autoridades antes da elaboração de um relatório.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também esteve presente e ressaltou a importância da presença do Coaf no centro financeiro do país, além da necessidade do combate às facções criminosas com “qualidade e velocidade analítica”.
“São Paulo como um ambiente dinâmico tem uma vitalidade que é uma força, mas que exige uma capacidade permanente de identificar vulnerabilidades. O crime organizado contemporâneo depende de contabilidade e análise das operações digitais e dos mecanismos de lavagem de dinheiro“, disse Andrei.
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Com a assinatura de um ACT (Acordo de Cooperação Técnica), a PF e o Coaf consolidam suas funções complementares e conectadas para a identificação dos fluxos financeiros das organizações criminosas.
O evento de inauguração do escritório também contou com a presença de Isaac Sidney, presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), e de Leandro Vilain, CEO da ABBC (Associação Brasileira de Bancos).