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A China suspendeu temporariamente três frigoríficos brasileiros após identificar suspeitas de irregularidades sanitárias em cargas de carne exportadas pelo Brasil. A medida atingiu unidades da JBS, PrimaFoods e Frialto e provocou reação imediata do setor, que tenta conter impactos nas exportações para o principal mercado da carne bovina brasileira.
O embargo afeta a unidade da JBS em Pontes e Lacerda, no Mato Grosso, a planta da PrimaFoods em Araguari, Minas Gerais, e o frigorífico da Frialto em Matupá, também no Mato Grosso. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a suspensão tem caráter “temporário e preventivo” para garantir a rastreabilidade da matéria-prima e permitir a adoção das medidas necessárias pelas empresas envolvidas.
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Publicado em 2026-05-23 13:00:20“[O intuito da suspensão é] permitir a rastreabilidade da matéria-prima e a adoção das providências técnicas necessárias pelas empresas envolvidas e pelas autoridades competentes”, afirmou a Abiec em nota. Já o governo brasileiro ainda não se pronunciou sobre a suspensão.
A entidade afirmou que o Brasil possui um dos sistemas de controle sanitário “mais rigorosos e reconhecidos internacionalmente”, destacando o monitoramento contínuo da cadeia produtiva e a atuação permanente do Serviço de Inspeção Federal (SIF). Ainda de acordo com a Abiec, as cargas questionadas pelas autoridades chinesas estão sendo tratadas “conforme os protocolos sanitários estabelecidos entre os dois países”.
A suspensão ocorreu na mesma semana em que a China decidiu liberar novamente outras três plantas brasileiras que estavam, há um ano, impedidas de exportar ao país asiático. Entre elas está outra unidade da JBS, localizada em Mozarlândia, além de plantas da Frisa, em Nanuque, e da Bon-Marte, em Presidente Prudente.
O Ministério da Agricultura informou em 2025 que o Brasil possui mais de 100 frigoríficos habilitados para vender carne ao mercado chinês. A China é considerada estratégica para o agronegócio brasileiro e qualquer restrição sanitária costuma gerar preocupação imediata no setor exportador.
O que dizem os frigoríficos atingidos pela medida chinesa
A Frialto foi a única empresa a comentar oficialmente a suspensão até o momento. Em nota, o frigorífico informou que a fiscalização sanitária chinesa encontrou o hormônio sintético acetato de medroxiprogesterona em uma das cargas exportadas pela unidade de Matupá.
Com a suspensão temporária, a empresa reduziu em 40% a produção da planta e redirecionou parte do volume para mercados alternativos, incluindo Estados Unidos, México, União Europeia, países árabes e outras nações asiáticas. A companhia também anunciou o início de uma investigação técnica sobre os lotes envolvidos para identificar a origem do problema.
A Frialto declarou ainda que espera retomar as operações antes do início do ciclo de produção voltado à cota de exportação destinada à China em 2027. Segundo a empresa, a suspensão ocorre justamente em um momento em que o Brasil já estaria próximo de atingir o limite da cota de 2026, cenário que naturalmente reduziria o ritmo dos embarques no segundo semestre.
Até o momento, os demais frigoríficos envolvidos não se manifestaram sobre a decisão chinesa.