O programa Celular Seguro, instituído por decreto, tem atraído atenção por ser considerado por muitos uma ferramenta de rastreamento de dispositivos móveis. No entanto, conforme explicou Adriano Pontes, do Canaltech, ao Live CNN desta quarta-feira (24), a plataforma funciona de maneira completamente diferente do que grande parte da população imagina.
Segundo Pontes, a confusão é compreensível, pois o aplicativo trata de um problema de grande relevância. “As pessoas acabam olhando para aquilo como uma panaceia, que vai curar todo o problema que é você ter o celular roubado”, afirmou.
Ele ressaltou que, atualmente, o celular deixou de ser apenas um aparelho de comunicação: nele estão concentrados direitos civis, acesso a serviços governamentais e operações bancárias.
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Publicado em 2026-06-24 13:48:08O que o Celular Seguro realmente faz
A funcionalidade central da plataforma é permitir que o usuário registre seu aparelho e emita um alerta em caso de roubo ou furto. Para utilizá-la, é necessário fazer login com a conta Gov.br.
Uma vez que o alerta é emitido, o sistema notifica os parceiros cadastrados — que podem ser bancos e outros serviços digitais — os quais, por sua vez, podem bloquear o acesso ao aplicativo, suspender temporariamente o canal digital ou exigir verificação biométrica adicional para restabelecer o acesso.
Pontes esclareceu que o aplicativo também permite que pessoas de confiança cadastradas pelo usuário ajudem a registrar a perda ou roubo do aparelho. Além disso, existe a opção de consultar se um telefone possui restrição, o que pode ser útil, por exemplo, na compra de celulares usados.
“Antes de comprar, consulte para ver se aquele equipamento é legítimo, se você não está comprando um equipamento roubado”, recomendou.
Celular Seguro não substitui localizadores nativos
Um ponto central da explicação de Pontes foi a distinção entre o Celular Seguro e os localizadores nativos dos sistemas operacionais.
O aplicativo não possui permissões de localização nem aparece como administrador do dispositivo — ao contrário de ferramentas como o localizador do Google para Android ou o localizador da Apple, que têm essas permissões habilitadas.
“O Celular Seguro nem aparece aqui como administrador do dispositivo e tampouco tem a permissão de, de fato, rastrear o seu celular”, explicou.
Portanto, em caso de roubo, o uso do Celular Seguro deve ser complementar a outras medidas: acionar o localizador nativo do aparelho, registrar um boletim de ocorrência e, então, utilizar a plataforma para avisar os parceiros de que o dispositivo não está mais na posse do proprietário.
“Com localização, com o Celular Seguro, com o administrador do dispositivo ativado, com tudo isso, não é garantido que você vá conseguir, mesmo sabendo onde ele está, recuperar o celular”, alertou Pontes.
Limitações e recomendações
Pontes também destacou que, por se tratar de uma plataforma em fase inicial de implementação, nem todos os casos de roubo ou furto já estarão registrados no sistema. Eventos ocorridos antes do lançamento do programa podem não constar na base de dados.
“Algo que acontecer de um mês para trás já não vai estar no sistema. Então é normal”, pontuou.
Como dica final, o especialista recomendou que os usuários testem a plataforma preventivamente, antes que qualquer incidente ocorra. “Rastreie hoje o seu celular em casa. Você vai ver que um monte de permissão e erros vão acontecer”, disse, citando o exemplo de uma pessoa que não conseguiu acessar o Gov.br após ter o celular roubado por não ter cadastrado previamente um dispositivo de confiança.
A orientação é verificar com antecedência se tudo está funcionando corretamente.