A Polícia Civil do Ceará indiciou João Munhoz Neto, de 34 anos, namorado da estudante Isabelle Caracristi, de 22 anos, pelos crimes de violência psicológica e fraude processual. A conclusão das investigações sobre a morte da jovem foi enviada no dia 30 de setembro ao Poder Judiciário e divulgado nesta terça-feira (6).
Durante as apurações, os investigadores localizaram provas, como áudios e relatos de familiares próximos, de que Isabelle vivia em um relacionamento marcado por controle e isolamento por parte de João Munhoz.
A polícia passou a investigar se a morte da jovem estaria relacionada à violência psicológica e a um induzimento ou instigação ao suicídio. João foi preso no dia 22 de setembro, no âmbito das investigações, e teve o seu celular apreendido.
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Publicado em 2026-10-07 07:25:36O inquérito policial entendeu que as circunstâncias que levaram Isabelle a óbito resultaram de “uma precipitação voluntária da estudante”, termo técnico para dizer que Isabelle teria se jogado da janela voluntariamente.
Foram realizados 17 laudos por parte da Polícia Civil e da Perícia Forense do Estado do Ceará, entre eles, documentos de necropsia, toxicológico, do local do crime, de DNA, de papiloscopia. Além disso, 700 vídeos de imagens de câmera foram analisadas e 29 pessoas foram ouvidas, entre elas familiares, amigos, colegas de trabalho do casal, moradores e funcionários do prédio onde Isabelle foi encontrada morta.
Caso Isabelle Caracristi
Isabelle Caracristi foi encontrada morta em um condominínio de Aldeota, bairro nobre de Fortaleza, no início de setembro. A perícia identificou lesões compatíveis com uma queda da janela do apartamento onde ela estava.
O caso ganhou repercussão dias depois, quando a mãe da jovem, a professora Isorlanda Caracristi, publicou um vídeo pedindo justiça e explicações sobre a morte da filha. Segundo ela, o condomínio onde Isabelle morreu era o mesmo em que ela vivia com o namorado, apontado pela família como “controlador” e “obsessivo”.
Isorlanda disse que a jovem enviou mensagens carinhosas por volta das 19h do dia 13, incluindo a frase “mãe, te amo“. A estimativa da perícia é que a morte tenha ocorrido cerca de uma hora e quarenta minutos depois, às 20h40. Ela só soube do falecimento no dia seguinte, ao procurar informações no condomínio onde a filha morava.
Relacionamento abusivo
O relacionamento de Isabelle e João havia começado há pouco mais de três meses, em julho, quando Isabelle ingressou como estagiária em um escritório de advocacia onde o homem também trabalhava.
A família era contrária ao namoro e relatou ter notado comportamentos de afastamento da jovem em relação aos familiares.
Segundo a polícia, além dos episódios de proibições e abuso psicológico, João também controlava o uso de cartões bancários da estudante e fazia promessas de abertura de empresa em nome dela.
Um áudio atribuído a Isabelle foi enviado a familiares horas antes de sua morte. Na gravação, a jovem descreve o comportamento agressivo do namorado, João Munhoz Neto, e afirma: “Esse cara é um louco”.
Postura não colaborativa e fraude processual
Além dos traços tóxicos de João relatados por testemunhas, a “postura não colaborativa” colaborou para a solicitação da prisão do homem.
Segundo a polícia, João não procurou a família de Isabelle após a morte e teria orientado a portaria a impedir a entrada deles no prédio. Para além disso, o investigado teria retornado ao condomínio, no dia seguinte à morte, para procurar o celular da jovem nas áreas externas próximas ao local da queda.
A corporação também informou que, após a morte, o imóvel foi limpo por uma pessoa contratada e posteriormente colocado à venda. João também teria recolhido seus pertences, desativados as redes e deixados de fornecer pontos de contato às autoridades.
A CNN Brasil entrou em contato com a defesa de João e aguarda retorno. O espaço segue aberto.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo