Casa Branca investiga vazamento e pede que funcionários entreguem celulares

Chefe de gabinete e diretor do FBI investigam quem, dentro do governo, divulgou informações sobre novo avião presidencial

A chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, assessora mais próxima do presidente americano Donald Trump, e o diretor do FBI, Kash Patel, orquestraram uma ampla investigação na semana passada para determinar quem, dentro do governo, vazou informações sobre falhas de segurança em uma aeronave doada pelo Catar, destinada a ser usada como Air Force One, avião que leva o presidente em viagens.

Alguns funcionários foram solicitados a entregar seus telefones aos investigadores nas dependências da Casa Branca, disseram fontes familiarizadas com o assunto à CNN. Trump ficou furioso com as revelações sobre o novo avião, disseram as fontes, e seu governo rapidamente iniciou uma investigação intensiva sobre o vazamento.

Conforme a investigação avançava, pelo menos uma agência federal enviou um e-mail a seus funcionários alertando que, caso fossem contatados por entidades externas solicitando informações e dispositivos, deveriam avisar imediatamente os advogados da agência, disse uma fonte à CNN.

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O diretor do FBI, que se preparava para viajar a Chicago, teria sido enviado para a Casa Branca na sexta-feira (10) para assumir um papel direto na condução da investigação, que se tornou pública na manhã seguinte, quando o The New York Times noticiou que o Departamento de Justiça havia intimado quatro repórteres por relatarem preocupações com a segurança do novo avião.

Kash Patel ficou em um escritório ao lado do de Susie Wiles por cerca de sete horas, enquanto os dois estabeleciam o que uma fonte chamou de "centro de comando na Ala Oeste".

Além de solicitar telefones celulares, os investigadores buscaram informações de pessoas que viajaram com o presidente ou que tiveram qualquer participação na viagem, incluindo funcionários de várias agências. Nem todos os funcionários solicitados a entregar seus aparelhos atenderam ao pedido, disse uma das fontes à CNN.

O esforço reflete até que ponto a Casa Branca estava disposta a exercer controle sobre uma investigação policial, uma violação significativa da independência histórica do Departamento de Justiça. A CNN já havia noticiado que o presidente dos EUA também conversou por telefone com Patel sobre a investigação do vazamento.

A reportagem entrou em contato com o FBI para obter um comentário. Um funcionário da Casa Branca declarou: “Vazamentos que colocam em risco a segurança do presidente, de sua equipe e da imprensa que o acompanha são perigosos e representam uma ameaça à segurança nacional. A Casa Branca leva esses vazamentos a sério e fará todo o possível, dentro da lei, para garantir que o(s) responsável(eis) seja(m) identificado(s) e que isso não se repita.”

Jornalistas e defensores da liberdade de imprensa criticaram a decisão do Departamento de Justiça de intimar os jornalistas do New York Times, alegando violação da Primeira Emenda, e o jornal afirmou que pretende contestar as intimações na justiça.

As preocupações com o novo jato de US$ 400 milhões doado pelo Catar dominaram as conversas em Washington na semana passada, quando Trump anunciou abruptamente que enviaria o novo Air Force One antes do previsto para a Base Aérea de Mildenhall, na Inglaterra, pouco antes de partir para uma cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na Turquia.

O presidente afirmou em uma publicação nas redes sociais que a troca de aeronave foi simplesmente para dar aos militares americanos estacionados na base a oportunidade de "conhecer a aeronave". Ele já havia elogiado o avião, que foi reformado e repintado a seu gosto.

"Todos estão muito animados, e pensamos que eles deveriam ser os primeiros", escreveu ele.

Trump partiu em uma aeronave mais antiga e depois trocou de avião novamente em uma base aérea americana de alta segurança no Reino Unido. Ele minimizou a ideia de que a troca foi feita por questões de segurança, embora fontes tenham dito à CNN e a outros veículos de imprensa que esse era o motivo.

"Não havia nenhuma preocupação com a segurança, exceto pelo fato de termos enviado a aeronave um pouco mais cedo, pela mesma rota de retorno. Enviamos um pouco mais cedo para que eles pudessem vê-la", disse Trump.

Fontes disseram à CNN que, após a viagem de Trump à Turquia para a cúpula, a avaliação de segurança mudou e Wiles informou a Trump que ele teria que deixar o país em um avião mais antigo. A aeronave do Catar, segundo as fontes, havia sido rapidamente modernizada com recursos de defesa, mas ainda não era tão segura quanto a versão anterior, construída para proteger presidentes em viagens ao exterior.

Um oficial havia dito anteriormente à CNN que o 747 cedido pelo Catar era amplamente visto pelos militares e pelo Serviço Secreto como uma aeronave que havia sido colocada em serviço às pressas. Por outro lado, o oficial observou que dois novos aviões adquiridos como parte de um acordo renegociado por Trump durante seu primeiro mandato enfrentaram sérios atrasos e não devem estar prontos antes de 2028.

Isso se deve, em parte, ao grande número de sistemas de comunicação classificados e contramedidas defensivas que precisam ser incorporados, aos requisitos de projeto abrangentes estabelecidos pelos militares e ao tempo necessário para treinar pilotos nessa aeronave singular.

A natureza exata das diferenças de segurança entre as aeronaves antigas e novas não está totalmente clara. Observadores da aviação que analisaram fotos do avião disseram à CNN que o novo Air Force One parece não apresentar modificações externas no cone de cauda associadas a um tipo de sistema de defesa antimíssil infravermelho. No entanto, a ausência de características visíveis não estabelece definitivamente quais sistemas estão ou não instalados.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/casa-branca-investiga-vazamento-e-pede-que-funcionarios-entreguem-celulares/