O economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, diz que o BC (Banco Central) faz o diagnóstico de inflação elevada e atividade forte e, por isso, “o espaço para redução de juros diminuiu”.
Ele ainda estima só mais um corte de 0,25 ponto porcentual da Selic em agosto, para 14% ao ano, mas reconhece que o risco de interrupção do ciclo de afrouxamento monetário aumentou, conforme afirma em entrevista ao programa Capital Insights, produzido em parceria da Broadcast com o CNN Money.
“O plano de voo do BC é não cortar juro em agosto”, considera Megale, pontuando mudanças no cenário econômico, como o efeito de medidas de estímulo ao crédito na reaceleração da atividade.
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Publicado em 2026-06-25 21:33:29Fatores externos são parte relevante do risco para a inflação. “A maior parte da desancoragem de expectativas é guerra”, diz o economista, ponderando que “fatores fiscais afetaram a correlação do petróleo com o juro”.
No entanto, o BC “teve dificuldade de se comunicar e fez grande ginástica para explicar o corte de juro”, o que abriu espaço para a dúvida sobre “se BC vai ter sempre desculpa para cortar”.
Na semana passada, ao reduzir a Selic para 14,25% ao ano, o BC rolou o horizonte relevante da política monetária do fim de 2027 para o primeiro trimestre de 2028, gerando críticas entre os participantes do mercado e resposta em alta dos juros futuros de longo prazo, que refletem percepção de risco.
Ainda assim, Megale acredita que “o diagnóstico vai prevalecer” e que, “para a frente”, o BC “não cortará o juro”. “Talvez o BC devesse ter falado menos”, embora “a intenção tenha sido boa, de mostrar o pensamento”.
Ele lembra que em 45 dias, até o próximo Copom (Comitê de Política Monetária), o BC terá a oportunidade de novas comunicações e avalia que “não vai precisar subir juro por causa do ruído”.
Megale também chama atenção para a falta de dois diretores do Copom – mandatos encerrados em dezembro, sem novas indicações ainda pelo presidente Lula. “É uma questão que, no mínimo, sobrecarrega outros”. A possibilidade de a reposição ficar para o fim do ano ou 2027 o preocupa.
O economista menciona que a “inflação de serviços afeta vários países” e que os “BCs não cumprem meta por causa disso”, o que pode exigir uma adaptação: “talvez por um tempo os juros sejam mais altos”.
Megale acrescentou que IA e a disputa por recursos no mundo também pressionam, ao comentar a demanda por financiamento de governos e investimentos.
No campo fiscal, ele observa que o “governo teve sucesso em aumentar arrecadação por anos”, mas que isso “não garantiu superávit”, e que “alta da arrecadação sem superávit mostra gasto excessivo”.
Megale defendeu que o “ajuste tem que vir do Executivo”, ainda que o Congresso tenha que trabalhar junto. Para ele, o foco de atuação num ajuste deveria estar nas despesas, citando os pisos mínimos de Saúde e Educação”.
A falta de correção das contas públicas traz efeitos colaterais: “juros altos e tributação alta” seriam consequência, porque o País enfrenta um “problema de aritmética” e “o Brasil não consegue fechar contas”.
Apesar disso, descarta o risco de rebaixamento de rating. “O Brasil tem musculatura e posição relativa boa. Falta apertar parafusos.”