Canetas emagrecedoras ilegais: entenda riscos do transporte inadequado
Exposição a temperaturas inadequadas faz o medicamento perder a eficácia sem causar alterações perceptíveis aos consumidores
Além da falta de autorização sanitária, a distribuição clandestina de medicamentos, como as canetas emagrecedoras, traz um perigo invisível para a saúde. O armazenamento e o transporte, quando realizados de forma inadequada, podem inutilizar o medicamento ou até trazer riscos maiores à saúde.
Segundo Márcia Camargo, head de transporte de materiais biológicos da TriStar Express, a degradação causada pela exposição ao calor é silenciosa.
Na maioria dos casos, o medicamento que foi mantido fora da temperatura adequada não apresenta alterações perceptíveis, seja de cor, odor ou consistência, o que torna basicamente impossível para o consumidor identificar o problema a olho nu.
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Publicado em 2026-10-29 16:08:56O que acontece com o medicamento?
Quando a cadeia de frio é quebrada, no caso das canetas emagrecedoras, o impacto mais direto é a perda ou redução da eficácia. As alterações químicas mais comuns nessas situações são a agregação e a fragmentação das moléculas biológicas.
No entanto, há casos em que o medicamento pode ter sido congelado e cristalizado por uso inadequado de refrigeração, o que pode aumentar o risco à saúde.
De acordo com Márcia, o nível de degradação depende de dois fatores centrais: o tempo em que o remédio ficou fora da faixa ideal de temperatura e a intensidade do calor atingido.
Esses dois fatores são gerenciáveis por meio do uso de registradores de temperatura (dataloggers). Com eles, é possível consultar a fabricante do medicamento e entender se a mudança de temperatura está dentro do estudo de estabilidade do produto.
Risco nas entregas
A qualidade costuma ser mantida no transporte de medicamentos de refrigeração controlada até a chegada aos distribuidores. No entanto, o transporte final –– a entrega ao consumidor — traz riscos maiores.
Quando o produto é entregue por meio de e-commerce, redes sociais ou transportadoras de aplicativo, frequentemente são usadas a embalagens simples de isopor com gelo reciclável.
Esse improviso também pode prejudicar o medicamento. Se o gelo for inserido totalmente congelado e em contato direto com o produto, o medicamento pode congelar e perder a utilidade. Por outro lado, há o oposto: se a embalagem não suportar o trajeto, o calor pode degradar a substância em poucas horas.
O transporte inadequado também expõe o remédio ao risco de contaminação cruzada. Isso ocorre quando o produto é transportado em bolsas ou veículos sem higienização adequada, compartilhando espaço com alimentos ou itens com odores e sujidades.
O que o consumidor pode fazer?
Para evitar a perda da eficácia ou contaminação, a orientação é que o próprio cliente tome cuidados desde o momento da compra.
Ao buscar o medicamento pessoalmente, é importante utilizar uma embalagem térmica adequada para o trajeto. Já ao receber o produto em casa, o consumidor deve exigir que a farmácia utilize transporte refrigerado apropriado, mesmo para distâncias curtas.
Se surgirem dúvidas sobre eventuais oscilações de temperatura durante o transporte ou trajeto para casa, a recomendação é entrar em contato com o SAC do fabricante.