Uma disputa eleitoral incomum chama a atenção no estado do Alasca, nos Estados Unidos. Dois candidatos com o mesmo nome, Dan Sullivan, aparecem na mesma cédula de votação para uma vaga no Senado americano, gerando confusão entre os eleitores e acusações mútuas entre o Partido Democrata e o Partido Republicano.
O caso ganhou ainda mais repercussão ao se tornar objeto de uma investigação criminal. O Departamento de Justiça já teria enviado intimações para apurar se os democratas agiram propositalmente ao colocar um segundo candidato homônimo na disputa.
A editora de Internacional da CNN, Mariana Catacci, detalhou a confusão durante o Live CNN desta sexta-feira (30). Ela explicou que, nos Estados Unidos, este caso está sendo visto como uma “supresa de outubro”.
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Publicado em 2026-10-30 17:01:50“É uma expressão usada para um evento que acontece no mês que antecede a eleição, seja presidencial ou de meio de mandato, e que pode alterar o rumo da eleição no mês seguinte”, contou Catacci.
Como surgiu a candidatura de dois Dan Sullivans
O sistema eleitoral do Alasca permite que os quatro candidatos mais bem votados nas primárias, independentemente do partido, avancem para a eleição geral.
Foi assim que um candidato independente também chamado Dan Sullivan conseguiu se inserir na disputa e aparecer ao lado do candidato republicano de mesmo nome na cédula de eleição no Alasca.
Segundo uma reportagem do jornal The New York Times, a equipe da candidata democrata Mary Peltola teria recrutado propositalmente esse segundo Dan Sullivan para causar confusão entre os eleitores e diluir os votos do candidato republicano.
A prática, conhecida como ballot stacking, consiste em incluir candidatos com poucas chances reais de vitória na cédula com o objetivo de sobrecarregar a urna e fragmentar os votos do adversário.
Legalidade e repercussão política
Embora moralmente questionável, a tática do ballot stacking é considerada legal nos Estados Unidos e já foi utilizada tanto por democratas quanto por republicanos em diferentes eleições.
No entanto, o caso específico do Alasca gerou uma reação institucional: o Departamento de Justiça iniciou investigações para determinar se a conduta dos democratas configura algum tipo de violação legal.
O contexto político torna o episódio ainda mais sensível. O Alasca é um estado em que os republicanos lideram, mas onde os democratas têm conseguido se posicionar de forma competitiva nas pesquisas, com risco real de o estado eleger um senador democrata.
O presidente Donald Trump já alegou, sem apresentar provas, que há indícios de fraude eleitoral na disputa, o que deve alimentar ainda mais o debate político nos próximos dias.