Luzana Rada, CEO da Global Tourisme. Crédito: Global Tourisme O Canadá nunca foi tão diverso e nunca esteve tão perto do Brasil. O que durante décadas foi associado quase exclusivamente ao intercâmbio estudantil e às viagens de inverno transformou-se em um destino de múltiplas experiências, capaz de atrair famílias, casais em lua de mel, grupos de amigos e viajantes em busca de aventura, gastronomia, bem-estar e cultura durante as quatro estações do ano. Essa é a avaliação de Luzana Rada, CEO da Global Tourisme, empresa especializada na representação de destinos e fornecedores canadenses para os mercados de língua portuguesa e espanhola. Chilena-canadense radicada em Québec, Luzana define a si mesma como "brasileira honorária" e é justamente esse afeto pelo Brasil que guia a estratégia da empresa no país desde 2009. Um mercado em expansão O turismo canadense vive um momento de recordes históricos. Segundo a Destination Canada, órgão oficial de promoção turística do país, o setor gerou aproximadamente CAD 130 bilhões (dólar canadense) em gastos diretos de visitantes em 2024, movimentando cerca de CAD 263 bilhões na economia total, o que equivale a mais de CAD 350 milhões injetados na economia a cada dia. Em 2024, as chegadas internacionais ao Canadá alcançaram aproximadamente 19,91 milhões de visitantes, com gastos de turistas estrangeiros chegando a USD 49,4 bilhões (dólar americano), um aumento de 28,3% em relação ao ano anterior e 65,8% acima do pico pré-pandemia de 2019. Os dados são do Statistics Canada, agência federal de estatísticas. Para Luzana Rada, esses números refletem uma mudança estrutural no apelo do destino. "O brasileiro está descobrindo que o Canadá pode ser visitado o ano inteiro", afirma. "Recebemos cada vez mais pedidos de viagens de lazer, lua de mel, famílias, grupos de amigos, viagens de incentivo e experiências especiais." Slow travel e as novas tendências Uma das tendências mais citadas por Luzana é o chamado slow travel, ou "viagem lenta". O conceito, inspirado no movimento Slow Movement, propõe uma mudança de filosofia: em vez da correria para acumular carimbos no passaporte, o viajante passa mais tempo em menos destinos, conectando-se à cultura local, à gastronomia e ao ritmo de vida das comunidades que visita. O slow travel convida o viajante a se permitir vivenciar o destino como um morador temporário, priorizando a qualidade das experiências sobre a quantidade de atrativos visitados. A tendência deixou de ser nicho. O Ministério do Turismo do Brasil reconheceu o movimento, destacando o slow travel como tendência central na sua Revista de Tendências do Turismo. Para Luzana, o Canadá é um destino naturalmente alinhado com essa lógica. "O território canadense convida o visitante a desacelerar, permanecer mais tempo em uma região e realmente conhecer sua cultura e seu estilo de vida", diz. "Cada província oferece uma identidade própria e experiências completamente diferentes, inclusive se as visitas ocorrerem em diferentes estações do ano." A CEO também destaca o crescimento das viagens multigeracionais. Famílias inteiras buscando destinos seguros, organizados e com atividades para diferentes idades. Há ainda o turismo de bem-estar, voltado à reconexão com a natureza, ao equilíbrio físico e mental e às práticas ao ar livre. E cita um detalhe curioso como símbolo dessa filosofia: "O The Canadian, da VIA Rail Canada, até hoje não tem Wi-Fi porque preza pela conexão humana que a viagem sobre trilhos proporciona." O trem The Canadian, da VIA Rail Canada, não tem Wi-Fi e preza pela interação entre os passageiros e a contemplação de todo o trajeto da viagem. Crédito: VIA Rail Canada Ícones clássicos Para quem visita o Canadá pela primeira vez, os grandes ícones ainda exercem um magnetismo irresistível. Em uma excursão ou circuito, os roteiros clássicos geralmente incluem destinos que figuram entre os mais visitados do país. Niagara Falls (Cataratas do Niágara) lidera as listas dos destinos canadenses mais visitados, seguida por Toronto, Montreal, Vancouver, Quebec, Banff, Victoria, Ottawa, Calgary e Whistler. Niagara Falls atrai mais de 13 milhões de visitantes por ano, enquanto o Parque Nacional de Banff, o primeiro parque nacional do Canadá, criado em 1885, recebe mais de 4 milhões de turistas anualmente em torno de sua vila, com montanhas para escalar ou esquiar, lagos glaciais e fauna abundante. Na região de Banff estão também os picos nevados das Montanhas Rochosas e seguindo pela Icefields Parkway, chega-se à Jasper, a maior reserva de céu escuro do mundo. A cidade de Québec é um destino de charme histórico, com sua arquitetura preservada, ruas de paralelepípedos, o icônico Château Frontenac e o bairro histórico Old Quebec, declarado Patrimônio Mundial pela Unesco. Luzana Rada reconhece o papel estrutural dessas excursões tradicionais, especialmente para estreantes. "Em um país de dimensões continentais, com grandes distâncias entre regiões e uma oferta tão diversa, uma viagem organizada permite ao visitante conhecer de forma eficiente os principais contrastes do destino, otimizar tempo e ter uma visão geral do país", explica. “Muitos dos nossos clientes fazem uma primeira viagem em formato de circuito ou excursão, passando pelos grandes ícones canadenses, e depois retornam em uma segunda visita para aprofundar a experiência, explorando uma região específica com mais calma, em um formato mais personalizado. A primeira viagem muitas vezes é uma descoberta ampla do Canadá, enquanto as viagens seguintes permitem uma conexão mais profunda e experiências mais exclusivas”. Niagara Falls é um dos ícones do país e lidera as listas dos destinos canadenses mais procurados pelos turistas. Crédito: Neil Morrell/Pixabay Para além dos ícones Se as grandes cidades e parques nacionais são o ponto de entrada, o Canadá guarda um universo paralelo de regiões ainda pouco exploradas pelos brasileiros, mas com enorme potencial. "O brasileiro está começando a explorar outras regiões do Canadá", observa Luzana. "As Laurentianas são um grande exemplo, com experiências de natureza e gastronômicas. La Malbaie, Charlevoix e outras regiões do Québec também despertam muito interesse por oferecerem um Canadá mais tranquilo, autêntico e menos conhecido." A CEO acrescenta a essa lista a observação de ursos polares em seu habitat natural, a aurora boreal, especialmente intensa no Yukon e nos Territórios do Noroeste, os roteiros ferroviários e a gastronomia regional como experiências com potencial de se tornar tendências para o viajante brasileiro nos próximos anos. "Acredito muito no crescimento de viagens combinadas, onde o cliente conhece diferentes lados do Canadá em uma única viagem." A observação da aurora boreal no território do Yukon é um dos atrativos turísticos que entrou na lista dos visitantes brasileiros. Crédito: Global Tourisme Cidades, cultura e gastronomia O Canadá de hoje não se vende mais apenas com imagens de montanhas nevadas. "Antes, o destino era promovido principalmente através de grandes paisagens. Hoje, o viajante quer saber: ‘O que vou sentir? Que história vou levar comigo?’”, diz Luzana. "Por isso, a promoção precisa mostrar pessoas, cultura, comunidades locais, gastronomia e experiências reais." As cidades ganharam protagonismo nessa narrativa. Montreal, Québec e Toronto oferecem experiências culturais ricas, festivais, arte e gastronomia de alto nível. O interesse por mercados locais, produtos regionais, chefs locais, vinhos e cervejas artesanais também cresceu de forma expressiva. Paralelamente, atividades ligadas à natureza com conforto como trilhas guiadas, observação de animais e hospedagens diferenciadas, configuram um dos segmentos de crescimento mais acelerado. Montreal está entre os destinos que oferecem experiências culturais, arte, música e gastronomia de alto nível. Foto: Crédito Montréal © GouvQc Eva Blue Crédito: Montréal © GouvQc Eva Blue Canadá mais profundo e verdadeiro Uma das apostas mais transformadoras do turismo canadense é o segmento dedicado aos povos originários, ou indígenas, segundo Luzana Rada, "O segmento acrescenta uma camada muito especial à experiência do visitante. Permite conhecer tradições e uma relação profunda com a história local", afirma. "É uma forma de conhecer um Canadá mais profundo e verdadeiro." Os povos indígenas do Canadá compreendem as Primeiras Nações. Hoje existem mais de 600 governos de Primeiras Nações reconhecidos, com culturas, línguas, arte e música distintas. A Associação de Turismo Indígena do Canadá (ITAC) registrou um número recorde de 1.332 membros em seu último relatório anual, representando um crescimento de 29% em relação ao ano anterior, com avanços em desenvolvimento, marketing e parcerias em todo o país. O objetivo da ITAC é tornar o Canadá o principal destino de turismo indígena do mundo até 2030. Luzana destaca que o turismo com povos originários está presente em toda parte no cotidiano canadense, "dos cassinos às experiências reais canadenses, como os trenós puxados por cães", e que para o cliente brasileiro ele representa algo de imenso valor: "uma conexão humana e cultural com o destino." O turismo com povos originários está presente no cotidiano canadense e representa uma conexão humana e cultural com o país. Crédito: Tourism Jasper O viajante brasileiro O perfil do brasileiro que vai ao Canadá mudou. "A principal mudança foi a sofisticação do viajante", afirma Luzana. "Hoje recebemos clientes que pesquisam muito, sabem o que querem e procuram experiências diferenciadas." O crescimento de viagens em pequenos grupos, viagens comemorativas, experiências premium e a busca por exclusividade, conforto e autenticidade definem o novo perfil. Ao mesmo tempo, o atendimento personalizado segue sendo um diferencial determinante. "O brasileiro valoriza muito o atendimento próximo. Ele gosta de ter alguém que entenda suas necessidades e ajude a construir uma viagem especial. Preço é importante, mas atendimento é mais ainda." É por isso que a Global Tourisme mantém uma equipe que fala português fluente, com aulas semanais do idioma, e uma linha dedicada exclusiva para emergências no destino, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, para operadores brasileiros com passageiros no país. Luzana Rada e uma parte da equipe multilíngue da Global Tourisme na sede da empresa na Cidade de Québec. Crédito: Global Tourisme Referência em turismo sustentável A sustentabilidade deixou de ser argumento de venda para se tornar critério de decisão. "Hoje nossos clientes perguntam cada vez mais sobre impacto, responsabilidade e autenticidade. A sustentabilidade passou a fazer parte da decisão de compra", afirma Luzana. No Canadá, essa preocupação se traduz em proteção dos parques nacionais, valorização das comunidades locais, experiências em pequena escala e respeito aos territórios. "Até mesmo nos hotéis: todos têm separação especial para resíduos recicláveis e a maioria oferece água gratuitamente. É uma prática que já traz muito benefício e educa o viajante." A CEO acredita que o Canadá pode ser considerado uma referência internacional em turismo sustentável. "A conservação dos parques, a inclusão e a diversidade dos atendentes, experiências indígenas e o incentivo ao turismo responsável mostram que a sustentabilidade está integrada ao desenvolvimento turístico", diz. Copa do Mundo 2026 A Copa do Mundo FIFA 2026, que o Canadá co-sedia ao lado de Estados Unidos e México, tem seus prós e contras na visão de Luzana. "Para nós, a Copa e grandes eventos são ruins. O destino como um todo fica mais caro e perdemos uma boa parte da temporada." Por outro lado, ela reconhece o benefício estratégico de longo prazo: "O evento desperta curiosidade de pessoas que talvez ainda não tenham considerado o país como destino turístico." Para o mercado brasileiro, a conexão emocional com o futebol é um fator de atração real, especialmente em Montreal, cidade com forte tradição no esporte. "Hoje o futebol é o esporte mais praticado do país", lembra Luzana, convidando os brasileiros a explorar também o turismo esportivo para além do futebol. Um país de múltiplas experiências Para quem já conhece o Canadá e acha que já viu tudo, Luzana garante: "A maior surpresa é descobrir que o Canadá está sempre oferecendo algo novo. Mesmo quem já visitou os grandes destinos pode encontrar uma nova cultura, uma nova paisagem, uma nova gastronomia e uma nova forma de viajar. O Canadá não é um destino único. É um país de múltiplas experiências." A Global Tourisme está no Brasil desde 2009, foi uma das primeiras empresas investidoras do projeto Extraordinário Canadá e mantém parceria com a Air Canada em vários países da América Latina. Para Luzana, a mensagem é clara: "Podem esperar um Canadá mais próximo, mais diverso e mais personalizado. Nós acreditamos em viagens criadas para pessoas, não apenas em produtos prontos. O futuro do turismo canadense será baseado em experiências autênticas, atendimento próximo e roteiros que criem memórias para toda a vida." Conheça mais: Global Tourisme Extraordinário Canadá Air Canada

Fonte: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/especial-publicitario/vbra-extraordinario-canada/noticia/2026/06/24/canada-aposta-em-vivencias-autenticas-para-atrair-mais-visitantes-brasileiros.ghtml

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