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Uma notícia vinda da Irlanda pode mudar o jogo para quem evita o café por causa da cafeína, seja por ansiedade, pressão alta ou simplesmente para dormir melhor.
Pesquisadores da University College Cork descobriram que o café, mesmo na versão descafeinada, é capaz de melhorar o humor, a memória e até a qualidade do sono. O segredo está em um caminho que a maioria das pessoas nunca ouviu falar: o eixo intestino-cérebro.
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Publicado em 2026-05-26 11:54:06Quais foram as descobertas do estudo
A pesquisa acompanhou 62 pessoas divididas em dois grupos: consumidores habituais de café (três a cinco xícaras por dia) e não consumidores. Depois de duas semanas sem tomar café, os participantes do primeiro grupo foram separados: metade voltou a beber café com cafeína, a outra metade passou a consumir descafeinado — sem saber qual era qual.
O resultado surpreendeu: ambos os grupos que retomaram o café, com ou sem cafeína, apresentaram melhora no humor, redução do estresse, da depressão e da impulsividade, além de ganhos na função cognitiva. Também foram observadas mudanças positivas na microbiota intestinal dos dois grupos, isto é, nas bactérias que vivem no intestino.
A diferença ficou nos detalhes: o café com cafeína foi mais eficaz na redução da ansiedade, da pressão arterial e na melhora da atenção. Já o descafeinado se destacou na memória, no sono e na prática de atividade física.
O intestino manda mensagem para o cérebro
Talvez o ponto mais fascinante do estudo seja a explicação de como isso acontece. O café é uma bebida extraordinariamente complexa, com centenas de compostos ativos — polifenóis, ácidos clorogênicos, melanoidinas, entre outros. Muitos desses compostos chegam ao intestino e interagem com as bactérias que vivem lá.
Esse processo ativa o chamado eixo intestino-cérebro, uma rede de comunicação bidirecional entre o trato digestivo e o sistema nervoso central. Em termos simples: o que acontece no intestino influencia diretamente o que sentimos e pensamos. E o café parece ser um dos alimentos com maior capacidade de mexer nessa via.
"O café é mais do que cafeína — é um fator dietético complexo que interage com os micróbios do intestino, o metabolismo e até o bem-estar emocional", afirmou à Science Alert o microbiologista John Cryan, um dos autores do estudo.
Café sem cafeína faz bem ao cérebro, sim
A questão que muita gente tem na cabeça é: café descafeinado realmente funciona? Os dados indicam que os benefícios cognitivos do café não dependem exclusivamente da cafeína. Outros compostos, presentes tanto no café normal quanto no descafeinado, parecem ser os grandes responsáveis por boa parte dos efeitos positivos no cérebro.
Isso é especialmente relevante para pessoas que sofrem de ansiedade ou que precisam evitar estimulantes. Para esses grupos, o café sem cafeína pode oferecer benefícios para a memória e o humor sem o custo de noites mal dormidas ou coração acelerado.
O estudo não estabelece uma dose exata, mas trabalhou com consumidores de três a cinco xícaras diárias — uma faixa que outros estudos já apontaram como segura para a maioria dos adultos saudáveis. O importante, segundo os pesquisadores, é que os efeitos positivos foram observados dentro desse padrão de consumo habitual, sem exageros.
Vale lembrar que o estudo tem limitações: parte dos dados veio de relatos dos participantes sobre como se sentiam, e a ciência sobre microbiota intestinal ainda está se desenvolvendo. Mas a metodologia foi considerada robusta, com análise detalhada de como o organismo de cada participante processou os compostos do café.
Para quem já tomava café com prazer, a ciência agora oferece mais um motivo para apreciá-lo. E para quem havia abandonado a bebida por causa da cafeína, o descafeinado pode ser uma alternativa que vale revisitar — com moderação.