Celebrado nesta sexta-feira (19), o Dia do Cinema Brasileiro é um convite para rever produções nacionais e repensar como o público se conecta com essas narrativas.
Nos primeiros meses de 2026, os filmes brasileiros atraíram 5,2% do público total dos cinemas. O índice, baseado em dados do Sistema de Controle de Bilheteria da Ancine, fica abaixo do registrado no mesmo intervalo do ano passado.
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Publicado em 2026-06-19 13:37:33Em celebração à data, produções que retratam o Brasil em suas contradições, afetos e transformações são recomendadas pela diretora Anita Barbosa e pelo roteirista, escritor e diretor Igor Verde.
Anita, que hoje comanda o desenvolvimento de “Se Eu Fosse Você 3” na Total Filmes, começou na franquia como assistente de direção dos dois primeiros filmes. Igor Verde, por sua vez, integra o time de direção de ‘Nobreza do Amor’ e acabou de dirigir ‘Fúria’, série inédita da Netflix.
Entre as dezenas de títulos lembrados pelos profissionais, o único consenso foi “Central do Brasil”, de Walter Salles. Lançado em 1998, o longa narra a jornada de Dora, uma ex-professora que ganha a vida escrevendo cartas para analfabetos na célebre estação carioca e que, ao lado do pequeno Josué, cruza o país em busca do pai do menino
“Central do Brasil consegue falar sobre encontro, perda, deslocamento e esperança sem perder de vista o país que existe fora dos grandes centros. É um filme que continua atual porque trata de relações humanas”, afirma Anita.
“É uma obra que aproxima as pessoas. Mesmo quem assiste pela primeira vez hoje consegue se reconhecer em algum aspecto da história”, acrescenta Igor.
Entre as escolhas de Igor, destaca-se “Alma no Olho”, curta-metragem de Zózimo Bulbul lançado em 1973. Com apenas 11 minutos e totalmente sem diálogos, a obra utiliza a performance corporal para propor uma profunda reflexão sobre identidade negra, racismo e liberdade
“É um filme que muita gente não conhece, mas que deveria fazer parte das conversas sobre cinema brasileiro. Ele mostra que é possível dizer muito utilizando poucos elementos”, diz.
Outra indicação de destaque é “Cabra Marcado para Morrer”, de Eduardo Coutinho. Com filmagens iniciadas nos anos 1960 e interrompidas pelo golpe militar, o documentário foi retomado décadas depois, transformando-se em um poderoso registro sobre memória, política e as marcas do tempo na vida dos personagens.
“Às vezes, a gente reduz o cinema nacional a dois ou três títulos mais conhecidos. Quando começa a explorar outras obras, percebe quantos Brasis existem dentro dessas histórias”, afirma Igor.
Já Anita destaca “Vidas Secas”, dirigido por Nelson Pereira dos Santos e baseado na obra de Graciliano Ramos, que acompanha uma família em meio à seca no sertão nordestino.
“São filmes que ajudam a entender períodos diferentes do Brasil. Eles falam de desigualdade, afeto, sobrevivência e muitos continuam dialogando com questões atuais”, comenta.
A diretora também cita “Estômago”, de Marcos Jorge, que utiliza a comida para discutir relações de poder e mobilidade social.
“Assistir a filmes brasileiros é uma forma de reconhecer a nossa cultura, ouvir diferentes vozes e perceber como determinadas questões permanecem atuais. O cinema cria pontes entre gerações e continua sendo uma ferramenta importante para refletirmos sobre o país”, conclui Anita.
Outras indicações dos profissionais incluem títulos como “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, “Marte Um”, “Branco Sai, Preto Fica”, “Pixote: A Lei do Mais Fraco”, “A Hora da Estrela” e “Medida Provisória”.